MARCADOR DE LIVRO ENVIA TUÍTES PARA LEITORES RETOMAREM A LEITURA

Redes sociais e comunicadores instantâneos juntaram-se às inúmeras tarefas cotidianas das pessoas, roubando o espaço de uma atividade saudável e prazerosa para a mente: a leitura. Na campanha da agência Mood para a editora Penguin, em vez de um vilão que impede o leitor de encarar os últimos capítulos do livro, o digital atua como um aliado.

Tweet For Read (Tuíte para ler, em tradução livre do inglês), eleito pelo IAB Brasil como o melhor case de julho, consiste em um marcador de página que emite um alerta no Twitter quando a pessoa passa um tempo sem ler. A ferramenta possui um sensor de luz e um timer que é ativado no escuro. Se o título não for aberto durante uma semana – ou um período previamente programado), um nano computador com wi-fi localizado no dispositivo dispara um tuíte para o perfil do leitor com uma frase do autor que está sendo lido.

A ação partiu de uma pesquisa da Fundação Pró-Livro e do Ibope Inteligência, divulgada no início do ano, cujos dados apontam que a queda do hábito de leitura deve-se ao fato de que as pessoas preferem ver entretenimento na televisão e na internet.

Fonte: Blog do Galeno

Editora Baraúna é a 5ª maior editora em distribuição de e-book

EbookBaraunaGRANDEHá pouco mais de um ano, grande parte dos brasileiros nunca tinha ouvido falar de e-books. Porém, a vinda de grandes empresas que atuam neste mercado para o país, como Amazon, Apple e Google, o investimento de empresas nacionais – Saraiva, Cultura e Gato Sabido – e a criação de companhias especializadas na distribuição de e-book, como a Xeriph, mudaram este cenário.

Hoje, a Baraúna é a 5ª editora com o maior número de publicações distribuídas pela Xeriph, uma empresa que trabalha com mais de 282 editoras.  A Editora Baraúna já disponibilizou mais de 600 títulos nas principais lojas virtuais atuantes no Brasil, e agora também disponibiliza suas obras nas bibliotecas virtuais das principais operadoras de celulares do país.

O e-book veio para democratizar a distribuição e baratear o preço dos livros!

Nós distribuímos, agora, você leitor, poderá comprar e incentivar o autor nacional.

Boa Leitura!

Aprenda a comprar um e-book

EbookBaraunaGRANDEPode parecer um pouco complicado, mas aos poucos vamos nos familiarizando com este universo. A Editora Baraúna já se faz presente neste mercado. Disponibilizamos cerca de 450 e-books nas principais lojas do mercado, entre elas Saraiva, Gatao Sabido, Google Play e Amazon. Em breve, todo o nosso catálogo estará disponível nestas plataformas.

Confira abaixo o passo a passo para você aprender a comprar seu e-book

1º: Escolha uma mídia
É possível ler e-books no computador e em smartphones, mas os melhores aparelhos para realizar a leitura são os tablets ou os e-readers. Entre os tablets, iPad, Galaxy Tab e Galaxy Note são os dispositivos que mais se destacam, já entre os e-readers, os mais conhecidos são Kobo , Kindle e Nook.

2º: Baixe os aplicativos
Em um e-reader, você terá acesso direto, via internet, a um acervo da livraria que o comercializa. Nos tablets e smartphones é necessário baixar aplicativos das livrarias.

3º: Compre o e-book
Por meio dos aplicativos baixados, você vai poder pesquisar, comprar e ler os livros. Boa parte deles remete o usuário ao site da livraria para efetuar a compra, e só depois o livro é baixado para o aparelho, o que é um pouco trabalhoso.

4º: Desfrute a leitura
A qualidade da experiência de leitura também depende dos aplicativos e aparelhos. Alguns aparelhos permitem que a leitura  seja salva e permite que o leitor continue o livro do ponto em que parou.  Outros apresentam recursos que permitem destacar partes de um texto e fazer anotações.

 

A PERGUNTA AGORA É: OS E-READERS VÃO SOBREVIVER?

 

PublishNews –  Maria Fernanda Rodrigues

Discutir se há um futuro para o livro impresso é coisa do passado. Editores viraram o disco e agora se perguntam que tipo de aparelho as pessoas vão escolher para ler livros digitais: e-readers ou tablets? “Não é uma questão de ter um e-reader ou um tablet, mas de poder sincronizar todos os seus aparelhos”, melhor respondeu Riccardo Cavallero, da Mondadori. O assunto foi levantado na manhã desta segunda-feira, dia 10, em Frankfurt, nos dois primeiros painéis da Conferência PublishersLaunch, organizada pelo consultor e colunista do PublishNews Mike Shatzkin e por Michael Calder, responsável pelo boletim Publishers Lunch. A empresa AT Kearney apresentou números relacionados à utilização de e-readers e tablets nos principais países. De todos os países consultados, apenas no Reino Unido os tablets superam os leitores de livro eletrônicos (3.4% contra 2.6%). Nos Estados Unidos, a relação é equilibrada, com os tablets tendo entre 8% e 9% de penetração e os e-readers, entre 9% e 10%. Com relação ao número de e-books disponíveis, o Brasil, único país da América Latina consultado, está na lanterna, com 6 mil títulos. Os mais avançados são Estados Unidos (1 milhão), Reino Unido (400 mil), Alemanha e França (80 mil cada), China (60 mil), Japão (50 mil), Austrália (35 mil), Itália (20 mil) e Espanha (15 mil).

 

NADA SUBSTITUI O PODER DOS LIVROS

No último final de semana o editor da OBJETIVA deu uma interessante entrevista ao ESTADÃO, falando sobre o futuro dos livros, mercado, livros eletrônicos e uma série de outras coisas ligadas ao mercado, que valem ser conferidas:

 

‘Nada substitui o poder dos livros”

Roberto Feith fala sobre mercado, iPad e novos leitores

25 de julho de 2011 | 0h 00

Sonia Racy – O Estado de S.Paulo

Encontros com o Estadão

Divulgação
Divulgação

 

Ele sempre quis escrever. Entretanto, os caminhos da vida levaram esse carioca a estudar em Nova York e a fazer carreira na TV Globo como correspondente internacional até chegar à direção da televisão na Europa. De volta ao Rio, Roberto Feith cometeu a “loucura” de comprar o controle de uma pequena editora, a Objetiva. Para desespero da concorrência, deu certo. E seis anos atrás, o Grupo Prisa-Santillana comprou o controle acionário da empresa mantendo o ex-jornalista a frente do negócio no Brasil.

Semana passada, em conversa por telefone, de seu escritório no machadiano bairro do Cosme Velho, no Rio, Feith comemorou mais um feito. A Objetiva assinou contrato para editar, a partir do ano que vem, nada menos que 27 títulos do poeta e escritor Mário Quintana.

Aqui vão trechos da entrevista:

Editar livros é bom negócio?

Pode ser um bom negócio, mas o mar está turbulento. Tem de ficar atento porque qualquer equívoco custa caro. Uma metáfora que me ocorre é a da dança das cadeiras. A quantidade de editoras é crescente, mas, quando a música parar, as empresas que não estiverem estruturadas vão sobrar.

Por que os livros são tão caros no Brasil?

Olha, recebemos um agente internacional recentemente e ele ficou revoltado com a tarifa do taxi, com os preços dos hotéis e dos restaurantes. Maiores do que em qualquer cidade americana. E o livro não é diferente de outros produtos. Por outro lado, quero deixar claro: levantamentos da Fipe mostram que os preços médios dos livros no Brasil estão caindo. Principalmente por causa da publicação de edições de bolso e da entrada de novas editoras no mercado, que aumentou a concorrência

O mercado editorial brasileiro tem aumentado proporcionalmente à população?

Não, não segue o mesmo ritmo. A curva de evolução do mercado editorial se mantém colada à curva do poder aquisitivo das classes médias e baixas. É o que mostram pesquisas tanto do Sindicato dos Editores quanto da Câmara Brasileira do Livro. O ritmo de subida ou descida é praticamente o mesmo.

Se tivesse condição financeira, o brasileiro leria mais?

A gente fala muito da necessidade de alfabetizar, do contingente de pessoas recém-alfabetizadas como perspectiva de crescimento do mercado. Só que, antes de atingir esse segmento, existe o nicho dos alfabetizados que têm o hábito da leitura, mas que não consomem tantos livros porque os salários não permitem. É um contingente significativo, que tem influenciado o crescimento do mercado nos últimos anos.

As novas tecnologias têm influenciado no hábito da leitura?

Elas são uma maravilha. Eu tenho usado bastante, porque viajo constantemente e preciso ler muitos originais. O Brasil ainda não sentiu o impacto da chegada do livro digital, porque ainda não tivemos a disseminação dos dispositivos digitais. Há muitos iPads, mas eles têm um monte de funções, e a leitura é apenas uma delas. Já os aparelhos que foram desenvolvidos só para leitura, como o Kindle, não estão presentes no País de forma significativa. Quando isso acontecer, o livro digital decolará.

Quanto custa para o consumidor baixar um livro no Kindle? E quanto fica com o editor?

De modo geral, as editoras vão cobrar pela versão digital de 30% a 40% menos do que pela versão em papel. A evolução do mercado digital no Brasil ainda é muito limitada. A editora que lança um título em formato digital tem de investir também em uma versão impressa. Nos EUA, o mercado digital está ameaçando a sobrevivência das livrarias. Aqui, o impacto será mais muito lento.

O livro de papel vai acabar?

Por enquanto não. Temos um universo muito grande de pessoas que só agora está entrando no mercado da cultura. Isso deve garantir mais um período de crescimento das livrarias nacionais.

Como as editoras buscam novos talentos?

Temos “batedores” em Londres, nos EUA e em Paris. Eles buscam títulos que possam atrair leitores, identificam novos autores. No Brasil, o contato com as agências literárias continua sendo importante. Isso faz parte da rotina, mas não é suficiente. A intuição não pode ser desprezada. O faro e a subjetividade podem definir o sucesso ou o fracasso de uma editora.

Você teve uma carreira como jornalista. O que fez com que se voltasse para os livros?

Depois que me formei em História e Economia, queria ser jornalista, pensava em escrever. Aí surgiu um emprego na TV Globo, em Nova York. Viajei o mundo inteiro, conheci a sociedade de diversos cantos do planeta. Nesse tempo todo, o apelo pela palavra escrita permaneceu. Quando surgiu a oportunidade de comprar uma pequena editora, chamada Objetiva, o impulso falou mais alto. Todo mundo dizia, na época, que eu era maluco por trocar a TV por uma mídia ligada ao passado. Mas liberdade é poder fazer o que a gente gosta. Acho que fiz muito bem.

Como você compara o conteúdo dos livros com o conhecimento gerado pela televisão?

No caso da ficção, o livro te permite uma viagem mais profunda e mais completa. Dificilmente o audiovisual ou a internet poderá oferecer o mesmo. Mergulhar plenamente no livro agrega conhecimento. É uma experiência sedutora, insubstituível.

Como você vê a produção intelectual brasileira?

Enquanto no resto do mundo a sociedade se move para proteger e estimular a criação intelectual, aqui tem gente querendo fazer o movimento contrário. As pessoas não trabalham de graça. Ninguém passa anos escrevendo um livro sem remuneração. Se autores brasileiros não forem estimulados, nossos alunos terão de usar cada vez mais publicações criadas no exterior, onde a produção intelectual é resguardada.

Por que iniciativas como a Flip são importante para o País?

A Flip e as Bienais do Livro têm um efeito multiplicador enorme. A valorização dos autores e de seus trabalhos é indiscutível. No caso da Flip, em que se procura trazer para o Brasil autores estrangeiros de qualidade, isso se torna uma forma importante de disseminação da cultura, do talento, do conhecimento.

Como a literatura brasileira é vista lá fora?

Está muito aquém da visibilidade do País como um todo. Eu vivi fora do Brasil nas décadas de 70, 80 e 90. Desde então, venho viajando a trabalho e acho que é indiscutível o crescimento do interesse global pelo Brasil. Mas isso não tem eco na literatura.

O que o Brasil tem de fazer para aproveitar essa oportunidade?

Os editores têm de apresentar as obras de autores brasileiros para seus parceiros internacionais. O governo triplicou a verba para a tradução. Acho muito bom. É uma possibilidade real que se tem para acelerar o processo. Nossa editora produz uma revista literária, a Granta, que nasceu na Inglaterra e agora está fazendo uma versão brasileira. Na edição nacional, que será apresentada no ano que vem, vamos abrir espaço para os jovens talentos brasileiros.
Colaboração
Débora Bergamasco debora.bergamasco@grupoestado.com.br
Marilia Neustein marilia.neustein@grupoestado.com.br
Paula Bonelli paula.bonelli@grupoestado.com.br



 

UM ANO DEPOIS…

PublishNews – 28/07/2011 – Maria Fernanda Rodrigues

O que mudou no mercado editorial brasileiro entre o 1° Congresso Internacional do Livro Digital e a edição que se encerra agora


Fotógrafo: Ilustração: Jonas Meirelles

 

Em um ano, o brasileiro parou de discutir se a chegada do livro digital representaria o fim do livro físico e colocou a mão na massa. No longínquo março de 2010, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Feira do Livro de Frankfurt realizaram o 1º Congresso Internacional do Livro Digital e o clima era de incertezas, com a maioria dos editores ainda sem coragem de arriscar e de investir dinheiro em experimentos.
Mesmo com poucos títulos convertidos para e-books, as livrarias começaram a se mexer. Em abril, a Gato Sabido deixou de reinar sozinha e teve de dividir os clientes com a Livraria CulturaA eBookstore da Saraiva seria inaugurada um mês depois. Hoje, até Ponto Frio, Casas Bahia e Extra vendem livro digital. E Ricardo Eletro, que passou a vender livros este ano, tem planos de incluir as versões digitais em seu site. E tem mais: hoje, até editoras vendem e-books diretamente para o leitor final a partir de seus sites, como é o caso da pioneiraCiência Moderna e do Grupo A.
As distribuidoras XeriphDLD também chegaram em 2010 para ajudar as editoras, que já conseguiram produzir, no total, 4 mil títulos em português. O número é pequeno se comparado ao de títulos importados à venda por aqui. Na Saraiva, por exemplo, eles superam os 220 mil. Essas mesmas editoras mandaram seus funcionários estudar, e nisso quem se destacou foi a gaúcha (e italiana) Simplissimo. Ela levou seu curso de produção de e-books para São Paulo e para o Rio e pode continuar viajando se conseguir fechar turmas em outros estados.
Dados de vendas ainda são um mistério, mas boas surpresas aparecem pelo caminho. O Grupo A, por exemplo, produziu um aplicativo para o livro Medicamentos de A a Z e vendeu nada menos do que 2.500 unidades só na AppStore (ele custa US$ 24,99).
As bibliotecas não ficaram de fora do movimento. Neste ano, Saraiva, Atlas, Grupo A e Gen criaram aMinha Biblioteca, uma empresa que pretende vender catálogos digitais para bibliotecas universitárias e queacaba de assinar contrato com a Ingram para a parte tecnológica.
Isso sem contar o interesse da Amazon e da Google, que estão contratando profissionais para atuar no Brasil, e da Kobo, que está trazendo o holandês Pieter Swinkels para cuidar de suas operações na América Latina.
Agora só falta o e-reader ficar mais barato, as editoras encontrarem um ponto de equilíbrio entre o preço do livro físico e do digital, os contratos serem resolvidos e o governo lançar edital para compra de obras digitais.
Ilustração: Jonas Meirelles – http://www.jonasilustracao.blogspot.com/

 

 

BARNES & NOBLE VIRA EMPRESA DE SOFTWARE

Na mesma semana em que a BORDERS informou que fechará suas portas, outra rede gigante de livrarias americana vai à bancarrota!

Maior rede de livrarias dos EUA vira empresa de software
The Wall Street Journal – 20/07/2011 – Por Jeffrey A. Trachtenberg e Di PinheiroNum forte sinal das mudanças que o livro eletrônico trouxe ao mercado editorial, a maior rede de livrarias dos Estados Unidos, a Barnes & Noble Inc., está se transformando numa empresa de software. À medida que os leitores se movem mais rápido do que nunca na direção dos livros eletrônicos, deixando para trás suas versões em papel, a empresa cujas lojas estão presentes por todo o país está tentando se reinventar como uma varejista de download de livros, aplicativos e livros eletrônicos. A transformação ficou clara em janeiro, quando um pequeno grupo de experientes compradores de livros foi despedido. Os compradores da Barnes & Noble eram a realeza do negócio de venda de livros, pequenos titãs cujo gosto desempenhava um papel crucial na decisão de quais livros subiriam aos rankings dos campeões de vendas. Esse cenário ainda parece distante para o Brasil. Segundo a Câmara Brasileira do Livro, problemas como a penetração relativamente baixa de banda larga e preocupações com direitos autorais restringem o avanço da leitura eletrônica no país.

 

O TRISTE FIM DA BORDERS

PublishNews – 19/07/2011 – Ricardo Costa

As últimas 399 lojas que sobreviveram às intempéries dos últimos meses devem ser fechadas em breve


Fotógrafo: fsse8info@Flickr

 

Pouco depois das 16h desta segunda-feira, dia 18 de julho, a Borders, segunda maior cadeia de livrarias dos EUA, anunciou a sua liquidação. A audiência na corte de Nova York que deverá aprovar o início do processo aconteceria hoje, mas foi adiada para a próxima quinta-feira, dia 21.
A notícia saiu primeiro no Ann Arbor.com, site especializado em notícias da região de Ann Arbor, cidade onde a Borders começou 40 anos atrás e onde está a sua sede, que já empregou 1.500 funcionários e conta atualmente com menos de 600. A liquidação fechará as 399 lojas restantes – 237 já foram fechadas desde o início do processo de liquidação – e deixará cerca de 10.700 desempregados no já conturbado mercado de trabalho norte-americano. Uma última tentativa de manter a Borders funcionando foi feita na semana passada, com uma oferta do grupo de investimentos Najafi que foi rejeitada pelos credores e locatários da empresa.
A liquidação deverá ser executada pelo grupo liquidante liderado por Hilco Merchant Resources LLC e Gordon Brothers Retail Partners LLC, especializadas em vender ativos de companhias em dificuldades e reduzir as perdas dos credores. O processo deverá ter início já na sexta-feira, dia 22, e o grupo liquidante espera concluir o processo até setembro deste ano.
Rumores indicam que até 50 lojas poderiam ser compradas pela Books-a-million, mas é mais provável que esse número fique em torno de 30 lojas, e também essas vendas precisam ser aprovadas pela corte de liquidação, em Nova York. Para Mae Anderson, da Associated Press, “esse acontecimento coloca a Borders na lista de grandes varejistas norte-americanos como Circuit City, Blockbuster e outros, que não conseguiram se adaptar aos novos hábitos de compra dos consumidores e sobreviver à virada na economia.”
Provavelmente os maiores perdedores neste episódio sejam os consumidores. Tanya Ellis, de Southfield, Michigan, contou ao Toledo Blade que o fechamento das lojas é uma coisa “horrível”. “Eu e minha amiga costumamos passar em uma Starbucks para um café e depois vamos para a Borders e ficamos ‘fuçando’ livros por cerca de uma hora. E agora, onde vamos comprar nossos livros? Faz só uns dois ou três anos que me tornei uma leitora e agora estão fechando uma livraria depois da outra…”
Mike Edwards, presidente do Borders Group, lamentou o desfecho. “Trabalhamos duro para não chegarmos a essa situação, mas as dificuldades que enfrentamos já há algum tempo, incluindo as rápidas mudanças no mercado do livro, a revolução dos e-readers e uma economia turbulenta, nos deixaram desta posição agora.”
A Borders, junto com a Barnes & Noble, foi responsável pela disseminação do conceito das megastores, movimento que se iniciou nos EUA em meados dos anos 1970.
A parceria com a Kobo
A Borders também é, desde 2009, um dos investidores da empresa canadense de livros digitais Kobo e era a única livraria física a vender o leitor. Procurada pela Forbes, a Kobo comentou sobre a liquidação da Borders, procurando minimizar os impactos da liquidação nos seus próprios negócios ressaltando que tem outros investidores. “Como um dos primeiros investidores na Kobo, a Borders tem uma participação minoritária na companhia e também é nosso distribuidor de e-readers, assim como o Walmart, Best Buy, Sears e outros.” O comunicado também destaca a transição de clientes da Borders para a Kobo. “Desde junho as empresas iniciaram a transição dos clientes da Borders para contas de e-book da Kobo a fim de prover acesso direto às funcionalidades mais atualizadas de e-reading, apps e aparelhos. Os donos de e-readers da Kobo continuarão a comprar normalmente na Kobo Store.”

 

 

LIVRO EM PAPEL SEMPRE TERÁ UM MERCADO

Já faz algum tempo que nossa Editora faz seus lançamentos tanto em papel, quanto no formato de e-book (comercializados pela Saraiva, Gato Sabido e Potti), e estamos bem atentos à discussão a respeito da possível decorrada dos livros impressos.

Nossa opinião é a de que os livros eletrônicos vieram para ficar, mas não aniquilarão os livros impressos, que já passaram a ser chamados de tradicionais, num claro sinal de evolução do mercado.

Da mesma forma que a criação da televisão não trouxe a falência das rádios e tampouco os aparelhos de vídeo, e depois de DVD, não acabaram com os canais de televisão, livros impressos e eletrônicos conviverão pacificamente por um bom tempo. Há espaço para todos.

Nesta entrevista, concedida pelo presidente do Penguin Group ao The Wall Street Journal, é identificada uma diferença interessante entre os consumidores dos dois tipos de livro: a vontade ainda persistente de parte do mercado de ter um exemplar impresso, bem acabado e nas prateleiras de casa.

É uma opinião de peso, afinal se trata do principal executivo de uma das maiores editoras do mundo, com que concordamos. A facilidade de leitura em tablets é formidável, mas o prazer de ter o volume nas mãos ainda é irresistível…

Não perca os principais trechos da reportagem:

The Wall Street Journal

Poucos executivos do meio editorial têm uma visão mais privilegiada da rapidez com que a tecnologia digital vem transformando o setor do que John Makinson, o diretor-presidente da Penguin Group, a divisão de livros da Pearson PLC.

A editora publica mais de 4.000 títulos de ficção e não ficção no mundo. Decidir como e onde vender todos esses livros está muito mais complicado do que quando Makinson assumiu a presidência, em 2002. Na época, o negócio de livros digitais era pequeno e o impacto de descontos na internet não se fizera sentir em sua totalidade.

Entre as decisões cruciais de Makinson está a adoção do “modelo de agência”: nele, a editora estipula o preço de venda do livro digital e dá ao varejo 30% da receita. Hoje, o modelo está sendo examinado de perto por órgãos de defesa da concorrência nos EUA e na Europa.

A Penguin também é uma das três grandes editoras por trás do Bookish.com, site anunciado na sexta-feira que se concentrará em novos títulos e autores e venderá diretamente ao consumidor.

Diretor financeiro da Pearson de 1996 a 2002, Makinson, de 56 anos, também editou por um tempo a coluna Lex no “Financial Times”. Recentemente, falou ao Wall Street Journal sobre e-books baratos, leitura digital e livrarias independentes.

[Penguin]Daniella Zalcman para The Wall Street JournalJohn Makinson, diretor-presidente da Penguin, acredita que muitas pessoas querem presentear, compartilhar e guardar livros em papel 

Trechos:

WSJ: O livro impresso, em papel, vai deixar de ser publicado um dia?

John Makinson: Não, não creio. Há uma diferença cada vez maior entre o leitor de livros e o proprietário de livros. O leitor de livros quer apenas a experiência de ler o livro e é um consumidor digital natural: em vez de comprar um livro barato descartável, compra um livro digital. Já o proprietário do livro quer presentear, compartilhar e guardar livros. Adora a experiência. À medida que formos melhorando o produto físico, em especial a brochura e a capa dura, o consumidor vai pagar um pouco mais por essa experiência melhor. Outro dia, fui conferir a venda de clássicos em domínio público em 2009, quando todos esses livros estavam disponíveis de forma gratuita. O que descobri foi que nossas vendas tinham subido 30% naquele ano. O motivo é que estávamos começando a vender edições de capa dura — mais caras — pelas quais o público se dispunha a pagar. Sempre haverá um mercado para o livro em papel, assim como creio que sempre haverá livrarias.

WSJ: A seu ver, qual será a participação de mercado do livro digital nos EUA em 2015?

Makinson: Bem mais de 30%. O ritmo de crescimento no Reino Unido e em outros mercados é um pouco mais lento do que se esperaria se olharmos para a experiência americana. É que a penetração de aparelhos de leitura se dá muito mais lentamente.

WSJ: A lista de best-sellers do Kindle, da Amazon, é dominada por títulos baratos, bancados pelo próprio autor. Muitos custam US$ 2,99 ou menos. Para editoras tradicionais, essas obras independentes são uma ameaça?

Makinson: Esse é um mercado novo que, economicamente falando, é inviável no formato em papel. Não há como imprimir, distribuir e fazer estoque de um livro a esse preço. Mas, como editoras, provavelmente teremos de participar. (…) Além disso, vamos olhar para o catálogo. Talvez haja público para um western de US$ 1,99. É preciso muito cuidado, no entanto, para garantir que esse novo mercado não comprometa as vendas de Clive Cussler, Tom Clancy, Patricia Cornwell e Ken Follett.

WSJ: Qual o maior desafio para as livrarias num momento em que há milhões de títulos em papel à venda na internet e no qual a receita com livros digitais está dobrando?

Makinson: O varejo [tradicional] de livros tem futuro. O problema, em grande parte, não é só que há livrarias demais, mas que são muito grandes. Como diversificar a oferta ao consumidor para fazer um uso produtivo do espaço sem perder a experiência de se estar em uma livraria?

WSJ: Livrarias independentes sempre tiveram um papel fundamental no lançamento de obras literárias. Com o crescimento do livro digital e da venda on-line, quantas dessas lojas independentes vão sobreviver, considerando que estão sujeitas às mesmas forças que afetaram redes de livrarias maiores?

Makinson: Tenho uma livraria independente na Inglaterra, [a Holt Bookshop, em Norfolk, de cerca de 230 metros quadrados], então tenho um interesse aqui. Não quero soar ingênuo: vai ser muito difícil. Se formos ver as vantagens competitivas estruturais da Amazon em relação a uma livraria convencional, é espantoso. Mas as pessoas estão dispostas a pagar um preço maior numa livraria independente sabendo que podem comprar [o mesmo livro] por menos em outro lugar. É que o consumidor tem um envolvimento emocional com a livraria, sente que a livraria está prestando um serviço público, não só comercial. Não vejo indícios de que as livrarias independentes se tornarão obsoletas.

WSJ: O sr. lê em formato eletrônico?

Makinson: Quando viajo, uso um aparelho digital, principalmente para leitura de manuscritos. Se for só para ler livros, provavelmente vou optar pelo Kindle. Mas, se quiser viajar com um aparelho que me dê acesso ao e-mail em trânsito, é possível que leve um iPad. Também leio livros em papel.

 

LIVRO DIGITAL: EVOLUÇÃO OU REVOLUÇÃO?

Por Maria Fernanda Rodrigues, publicado originalmente no PUBLISHNEWS

O que está acontecendo neste momento com a indústria do livro é uma evolução, com editores se adaptando às mudanças naturais, ou é uma revolução, que acontece quando você é tirado repentinamente do poder? Para responder a essa pergunta e analisar o presente e o futuro da edição, a Feira do Livro de Londres convidou os CEOs da Penguin, Elsevier, China Education Publishing and Media Group e HarperCollins. As respostas foram divididas, mas todos concordaram que se o mercado editorial não acordar vai acabar perdendo espaço para outras indústrias.
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“Todas as empresas de TI estão tentando entender a relação entre conteúdo e veículo. Temos que ser indispensáveis para o processo para não sermos aniquilados”, disse John Makinson, chairman and CEO do grupo Penguin. Para ele, não se trata de uma evolução e essa mudança na forma de trabalho é vista em cada um dos espaços da edição. “O trabalho do editor está mudando. Temos que apender outras habilidades para continuarmos fazendo o nosso trabalho. E temos, sobretudo, que saber o que os clientes querem e o quanto eles estão dispostos a pagar, coisa com a qual nunca nos preocupamos”, comentou Makinson.
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Ele disse também que é hora de tentar entender se os leitores vão continuar lendo com a mesma voracidade, se o consumidor digital vai querer ter a posse do livro e se – quando – as livrarias vão entrar em colapso. Por fim, deixou um aviso: “Quanto mais conteúdo estiver disponível, mais vamos vender. Isso se ouvirmos os consumidores”.
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Li Pengyi, presidente da China Education Publishnig and Media Group, acredita que o momento está mais para evolução do que para revolução e que apesar de existirem mais de 400 e-readers diferentes na China, o mercado, em queda, ainda é reticente. “O mercado editorial chinês está caindo por causa da internet e de outras formas de diversão”, comentou. Quando à passagem para a era digital, quem está liderando o movimento são empresas de TI e de entretenimento. “A tecnologia digital permitiu que muitas outras empresas de tecnologia entrassem na indústria do livro. Elas se beneficiam de seu conhecimento tecnológico. Na China, tem empresa de jogo que já é editora”, disse.
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Quanto aos editores, acredita que eles terão de aprender a coletar e processar conteúdo e desenvolver novos negócios. “Se não fizermos isso alguém vai fazer”. Mas ele ainda acredita na superioridade do mercado editorial: “o Google pode ser comparado a uma biblioteca. Já as editoras são experientes bibliotecários”.
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O CEO da Elsevier e presidente da International Publishers Association (IPA), Y.S. Chi, falou sobre o momento a partir da perspectiva de quem está no segmento de CTP, que segundo ele está mais avançado do que os outros nessa questão digital. O que ainda falta para o CTP fechar o ciclo é analisar como o conteúdo pode ser melhor aproveitado e que tipo de serviço ainda podem oferecer aos seus consumidores. Pra ele, trata-se de uma evolução do mercado e brincou: “Todos preferimos que seja revolução porque é mais sexy. Pensem que é uma revolução, mas ajam como se fosse uma evolução”. Ele, no entanto, tem medo de ser substituído por alguém mais experiente em tecnologia e que vai se adaptar ao “mundo das palavras escritas”.

“Quanto mais perto você chega dos consumidores, então é uma revolução. Há muitos impactos nos nossos negócios quando você pensa na mudança de consumo”, comentou Brian Murray, presidente e CEO da HarperCollins. Para aproveitar esse momento, o diretor pensa que é hora de levar pessoas com características diferentes para o dia a dia das editoras. “Esta é uma grande oportunidade para reinventar o negócio, procurar novos formatos e novas plataformas de leitura, sejam elas telas de 2 ou 10 polegadas. É a oportunidade de sermos mais criativos”. Murray se disse impressionado com a velocidade que os leitores aceitaram esse novo jeito de ler. De acordo com ele, há um ano existiam 15 milhões de e-readers no mundo. Hoje, são 40 milhões. “Isso me parece muito revolucionário e participar desta fase da história é incrível”.