CERTA POESIA E ALGUMA CANÇÃO – CURSO COM ANTONIO CÍCERO

Cursos

Certa poesia e alguma canção
PublishNews – 20/07/2011 – Por RedaçãoO poeta, filósofo e compositor Antonio Cicero comanda o curso “Certa poesia e alguma canção” no Centro Universitário Maria Antonia(Rua Maria Antonia, 258 – Vila Buarque – São Paulo/SP. Tel.: 11 3123-5213/5214) nos dias 26, 27 e 28 de julho. As aulas irão partir da leitura de um poema enquanto obra de arte e como experiência inteiramente diferente da leitura de textos não-poéticos, analisando a forma e o tema dos trabalhos, possíveis intertextualidade, atitude estética, tradição e vanguarda. Também será tema das aulas a comparação entre poemas e letras de canções. As aulas acontecem das 20h às 22h30 e o valor da inscrição é R$ 170. As inscrições devem ser feitas no próprio Centro Universitário Maria Antonia.


DICAS PARA ESCREVER: TRÊS EXERCÍCIOS PARA LIBERTAR A CRIATIVIDADE

Por FÁBIO MARCHIORO* – publicado originalmente no site PARÁGRAFO

Se você não abre o alçapão e solta “aquela doida da criatividade” lá de cima, de cabeça, bem em cima do texto em que você está trabalhando, no final vai ficar parecendo que só o que você fez foi empilhar parágrafos. E veja bem, isto se aplica para qualquer tipo de texto: de romances a relatórios, de petições a trabalhos acadêmicos.

Dei aula no Brasil durante cinco anos no curso de jornalismo da Universidade Positivo, em Curitiba-Pr. Minhas disciplinas favoritas eram: Legislação e Ética no Jornalismo, por causa da minha prévia formação na área do Direito e a Redação Jornalística que era ministrada no segundo ano, que aproximava as técnicas literárias do jornalismo.

Toda produção de classe era orientada para a criação de textos criativos. A idéia era que, no momento apropriado, o material servisse de inspiração para que os alunos “temperassem” sua produção textual para que fossem publicados em revistas. Sem contar que acredito que se você exercita sua criatividade, não importa o tipo de texto que você tenha que escrever, ele será bom.

Só para ficar claro para aqueles que não têm formação na área de comunicação, uma das principais diferenças entre um texto criado para jornal e um para revista é o tempo de produção, que no caso do jornal é… AGORA! E no caso da revista é, no mínimo, para a semana que vem. O tempo que você investe para pesquisar e produzir o texto impacta diretamente no tratamento dado ao material, sendo que você pode ainda dar-se ao luxo de deixar o texto “dormir” um tempinho antes de revisá-lo. Com mais tempo você tem mais calma e consegue criar mais, inovar mais. E, claro, ser mais crítico.

Quando você escreve para jornal, já no primeiro parágrafo tem que deixar claro quem fez o que, como, quando, onde e por que. Para uma revista você pode começar falando de como a luz da janela, por trás do entrevistado, não permitia que você lesse sua fisionomia, e que quando você fez menção de mudar de lugar ele se recusou a continuar a entrevista. E foi aí que você entendeu que ele escolheu aquele lugar de propósito e que a intenção dele era mesmo “esconder-se” na frente da janela, bem ali, do seu lado, debaixo da luz.

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VOLTANDO AO TEMA CRIAÇÃO DE PERSONAGENS …

Esta é a segunda parte do texto sobre CRIAÇÃO DE PERSONAGENS, trazido pelo excelente BLOG MENINA NO SÓTÃO:

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Hoje eu vou abordar mais uma vez o assunto mais complexo do processo de criação: os personagens. Embora complexo, é um tema pra lá de delicioso. Ao menos pra mim que vivo as voltas com eles.

Todos nós temos os nossos personagens favoritos, eu mesma poderia citar vários, mas não vou fazê-lo porque ao longo desse blog e de tantos outros, já falei deles das mais diferentes formas possíveis…

 

Então vamos ao processo.
A única regra desse processo todo é que um escritor é um eterno pesquisador, porque pra você criar um personagem você precisa ser capaz de se por de lado e ser ele. Sentindo as mesmas coisas que ele. Não é atoa que a maioria de nós faz terapia. rs Se abandonar num canto pra viver a dor do outro, uma dor que de fato não é sua… Mas que acaba sendo sua pelo tempo em que você vive com esse personagem a quem você deve conhecer intima e profundamente e talvez esse seja o processo mais complicado, uma vez que a maioria de nós não conhece nem mesmo a si mesmo. Como falar de si? Como se expor como se você estivesse diante do espelho, analisando não apenas os aspectos físicos, mas os psicológicos também? Bem, é exatamente isso que precisamos fazer quando o assunto é o personagem que irá ser o herói ou o vilão da sua história.

O fato é que os personagens necessitam de uma atenção muito especial. No momento em que a história é criada, eles passam a existir. Alguns se se precipitam e passam a existir bem antes da história, mas na maioria das vezes eles são rasos, disformes, desinteressantes, previsíveis e pior: fora de contexto.

Precisamos nos ater na seguinte condição: personagens precisam ser o mais humano possível. Ele deve parecer com qualquer pessoa comum, como se tivesse sido extraído do cotidiano urbano comum a todos nós. É claro que ele precisa ser um ser único, mas sua essência deve conter características universalmente humanas: ser falho, amável, preconceituoso, detestável, forte, fraco, perfeccionista. As características que definem seu personagem é que vão torná-lo próximo do leitor que irá se reconhecer ali através do amor ou do ódio. Seja como for, é preciso ressaltar que você não pode e não deve julgar suas ações e tão pouco condená-las. Aqui você não é juiz e o seu íntimo deve ser abandonado. Não há espaço para hipocrisias, até porque só sabemos do que somos capazes realmente no último segundo, então fica fácil dizer “eu não faria isso de jeito nenhum”.

Conhecer bem os personagens é justamente o que nos permite aquela liberdade tão necessária para compor a história que vai se projetando lentamente. Por isso as anotações são necessárias. Qualquer faísca de criação, qualquer luz imaginária é preciso ser anotada. A ordem de tudo isso vai permitir que você desenvolva seus escritos de forma natural.

Uma forma de se organizar quanto a tudo  isso é o backstory que é um documento que serve com o base para o escritor. Eu tenho uma agenda onde tomo nota de absolutamente tudo que vai surgindo em minha mente; não deixo passar absolutamente nada. Não tenho uma preocupação com a qualidade do que escrevo, porque são anotações que são narradas as vezes em terceira pessoa em determinado momento (quando o personagem ainda é apenas uma sombra, um esboço) mas então a figura muda e ele passa a ser tão intimo, tão seu que a escrita simplesmente muda para a primeira pessoa e é quando percebo isso que minha vida vira uma bagunça, e mesmo assim me sinto realizada. Objetivo alcançado.
O backstory também serve para você encontrar o tom do personagem: compreender seus passos, seus movimentos, ou seja, sua postura diante das coisas. Uma das minhas personagens tinha a mania de levar o cabelo para trás da orelha quando ficava nervosa. Era um movimento que começava rápido e perdia a pressa no meio do movimento, tornando-se lento. Descobri isso através do backstory enquanto relia as minhas anotações.

 

Em e-pifanias (novela de minha autoria) a personagem Alexandra Mendes não sabe exatamente o que sentir diante da morte do próprio pai. Enquanto a cidade inteira chora, ela está em seu quarto com suas coisas, lamentando a mudança de seus planos graças aquela morte. Esse tipo de sentimento tem toda uma explicação natural, mas se não for bem entendida pelo leitor, pode acabar gerando desconforto o que impossibilita a empatia tão necessária para que o leitor se posicione junto a história.

Resumindo: escrever um livro não é algo tão simples; criar um personagem tão pouco. Não pense que é só sentar diante da tela e mover os dedos e a mente. Há todo um processo anterior a isso. Eu costumo dizer que o mais fácil é jogar para o papel a história quando esta já está definida. O processo que antecede esse movimento é o mais difícil, contudo, fascinante…

 



A CRIAÇÃO DE PERSONAGENS

Este excelente texto sobre o PROCESSO DE CRIAÇÃO DE PERSONAGENS foi publicado originalmente no BLOG MENINA NO SÓTÃO, que merece uma visita …

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Há quem diga que um escritor só é escritor quando publica um livro. Eu confesso que sempre achei graça disso porque pra mim, um escritor se define quando este caminha pelas ruas de uma cidade e observa tudo com olhos de primeira vez: colhendo detalhes que ninguém mais além dele seria capaz de colher.

Então, no dia seguinte, depois de uma noite tranqüila de sono, ele acorda num susto e se vê num mundo que não é nem de longe aquele de antes. E como um louco, insano, perturbado, ele abandona a si mesmo na cama e passa a ser outro. E não se sabe ao certo por quanto tempo.

Possuído por esta estranha figura, ele desvenda uma cidade inteira. Passa por ruas que são suas e de mais ninguém. Ruas que revelam o inesperado como uma menina que sorri quando ele passa e acena. Minutos depois, ela pode ser sua filha, basta que ele a receba de braços abertos quando chegar em casa.

Não está dando pra entender?
Para um escritor, tudo que ele toca com qualquer um dos seus sentidos é parte de um mundo que ele irá traduzir em palavras. Você que está lendo por exemplo, pode ser o personagem principal de uma trama, basta que ele o descubra, o entenda e por fim, o reinvente.

Sempre que me perguntam “como surge um personagem?” Eu respondo: eu morro por algum tempo e ele nasce e quando ele morre, parte de mim se perde e até encontrar, o pranto se estabelece. Não há sofrimento maior que dizer adeus a personagem. Ele é tão parte de você quanto você dele.

Talvez por isso tantos autores deixem escritos inacabados. Fernando Pessoa criou inúmeros personagens, denominados “heterônimos”. Todos eles, com exceção de um, tinham começo, meio e fim. Álvaro de Campos só teve começo e meio. Coube a ele o desafio da eternidade. Tantos outros autores fizeram o mesmo…

Trilhar esse caminho não é fácil. Você passa tanto tempo com um personagem que ele ganha dimensões que vão além da compreensão de qualquer um. Escrever a palavra fim ao final de uma trama é o mesmo que vê-los morrer, mesmo sabendo que estão lá, vivos, de certa forma.
Mas é que quando suas vidas se explicam, suas tramas se finalizam. Nada mais pode ser feito. Fica a saudade da companhia constante, da compreensão íntima e silenciosa. Da cumplicidade que te leva a entender todo e qualquer ato. Você não o condena se ele mata, rouba. Você o aceita porque você criou cada um dos elementos que ele apresenta. Você fez o backstory e soube desde o primeiro contato que seria assim…

Sabia desde então que o perderia se houvesse julgamento e condenação de seus atos. Todos poderiam fazê-lo, menos você. Ao leitor a sentença. Ao escritor a aceitação e a resignação por saber que ele tocou alguém de alguma forma.

Criar um personagem é um processo lento que requer pesquisa de vivência e de campo. É o mesmo que esculpir uma peça de madeira. É preciso antes de tudo ser capaz de saber qual é a melhor madeira, as melhores ferramentas. Imaginar uma forma, desenhá-la na peça e por fim dominar as técnicas especificas. E claro: muita prática. Porque nada acontece simplesmente. E acima de tudo é preciso paciência e evitar a pressa, porque cada coisa tem o seu ritmo, a sua cor e é preciso compreendê-las e aceitá-las

Para Robert Mckee, o que diferencia um artista de um ser humano comum é a capacidade de absorção de informações. A vida de um artista é uma eterna pesquisa: de informações, sentimentos, jeitos e trejeitos. É uma busca incansável de entender o humano que nada mais é que um simples personagem e sua história uma narrativa sendo desenhada para que outros saibam de sua existência…


 

TEMPO DE LER CLARICE

Por HILDA SIMÕES LOPES*, publicado originalmente no site RELEITURAS:

 

Perceba os paradoxos e pense em como nunca o homem foi tão poderoso para o bem e para o mal. Podemos modificar espécies, viajar no sistema solar e destruir o planeta. Montamos uma rede de comunicação universal e instantânea, vemos e ouvimos tudo, falamos quando e com quem queremos. E vivemos imersos em corrupção e violência, banalizamos a vida e a morte e, ruminando pânico, erguemos grades, trancamos portas e nos encarceramos. É o tempo da contradição onde se aprofundam abismos, medos e inseguranças. O homem está abandonado, perdeu o contato com a terra, com o céu. Ele não vive mais, ele existe. Clarice Lispector disse assim.
Nessa época de homens poderosos em todos os sentidos, ler Clarice, a hermética, a intimista, a escritora que se afasta da sociedade em crise para a crise do indivíduo, a escritora do torvelinho das almas, cada vez mais parece água fresca em dia de quarenta graus à sombra.

Clarice Lispector também fala em assassinato mais profundo: aquele que é um modo de relação….. um modo de nos vermos e nos sermos e nos termos, assassinato onde não há vítima nem algoz, mas uma ligação de ferocidade mútua.

Clarice não enxergava a desumanidade do social e sim a das almas, punha a mão na fome de integridade e não na de comida, gritava pela ausência de ser e não pela de saúde e saneamento. Queria mexer na seiva e não nos galhos da árvore. Coisa difícil, afinal a “fome” é imensa e tem muitas faces, e metaforicamente Clarice explica: a pessoa come a outra de fome, mas eu me alimentei de minha própria placenta. E me pergunto se ler sua literatura não é isso mesmo, comer placenta, engolir fermento de vida, deixar as bordas e afundar no miolo.

O interessante é que essa fome por uma humanidade centrada no ser, presente na obra de Clarice Lispector, vive no imaginário dos africanos e faz parte de seu vocabulário. Eles diriam que Clarice Lispector anseia um mundo de “ubuntu”. Tal expressão, usada hoje para sistemas operacionais simples e gratuitos, vem da África onde é bonita em significado como em seu uso virtual. Tem a ver com nossa essência, algo como “sou o que sou devido ao que todos somos”, e para os africanos, quanto mais nos apropriamos dessa idéia mais humanos ficamos. Tem muito “ubuntu” quem não se intimida com o sucesso, a capacidade ou a beleza dos outros porque sabe que, igual ao outro, é parte de um todo, ou quem não rouba do outro porque sabe como atingirá o todo do qual faz parte. Este sentimento nutriu o “ontem eu tive um sonho, todos éramos cidadãos do mesmo mundo” de Martin Luther King, o “Imagine” de John Lennon e vários discursos de Bill Clinton.

Ignoro se Clarice conhecia a palavra africana, mas a idéia se derrama de sua literatura: Não me mostre o que esperam de mim porque vou seguir meu coração, não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual porque sinceramente sou diferente…….. Não copie uma pessoa ideal, copie a você mesma…….. O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo.

Claro, Clarice, claríssimo, ser o que se é porque cada um é um e temos de nos somar e não nos copiar.

Os todos poderosos homens de hoje, para o bem e para o mal, como diz Clarice Lispector, não vivem, existem. Vivem apenas um carnaval de vaidades, teres e poderes, usando as fímbrias de suas existências cambaleantes, controladas por comprimidos e sedentas por paz e alegria genuína.

Imagine todas as pessoas/ vivendo pelo hoje / nada porque matar ou morrer / nenhuma necessidade de ganância ou fome / imagine todas as pessoas / compartilhando o mundo todo. John Lennon disse assim. Bem igual a Clarice.

Ele usou a música, ela as metáforas. Era uma humanidade deslumbrada pelo poder tecnológico alcançado, mas eles queriam alcançar a mudança das almas. E alma, sabe? é um negócio imenso. Clarice usou as metáforas porque as palavras não chegavam lá, e acharam difícil de entender. Passou o tempo e o deslumbramento implodiu, todo mundo viu, os poderes avançaram, para o bem e para o mal. Por dentro, fome por outro tempo. Tempo de ler Clarice.

*HILDA SIMÕES LOPES - (1945), é natural de Pelotas (RS). Reside em Porto Alegre (RS). Professora universitária aposentada, socióloga,é escritora com 7 livros publicados, entre eles MANUNAL DE CRIAÇÃO LITERÁRIA, lançado pela EDITORA BARAUNA.

OFICINA DE CRIAÇÃO LITERÁRIA

Marcelino Freire ministra oficina de criação literária

PublishNews – 30/03/2011 – Redação

Atividade acontece de 9 de abril a 2 de julho, sempre aos sábados

De 9 de abril a 2 de julho, sempre aos sábados, das 14h30 às 17h, o escritor Marcelino Freire ministra no Centro Cultural b_arco (Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426. São Paulo/SP. Tel.: 11 3081-6986) uma oficina de criação literária. Os encontros abordarão desde mini-contos até romances e poemas, chamando a atenção para o cuidado que se deve ter com a linguagem – como fazer para “enxugar” o texto, preparar um livro, como exercitar a síntese, entre outras técnicas. Todo o trabalho será feito, principalmente, em cima dos textos apresentados pelos participantes, realizando um acompanhamento de cada projeto literário. A oficina é destinada a aspirantes a escritores e poetas, estudantes, professores e todos aqueles que amam a literatura. O investimento é de 4x de R$ 355. Informações e inscrições pelo site.

 

AGENTE LITERÁRIO: LUXO OU NECESSIDADE?

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Uma das colunas que sempre desperta interesse em nosso BLOG DA BARAÚNA é a que traz  DICAS PARA ESCREVER, que visa fomentar a discussão e troca de experiências entre autores novos e veteranos, profissionais do mercado editorial e estudiosos da área.

O texto que trazemos hoje foi escrito por MARISA MOURA, uma das mais talentosas e conceituadas AGENTES LITERÁRIAS brasileiras que, com simpatia e muito profissionalismo, escolhe a dedo seus clientes, recusando centenas de originais todos os meses.

Para nós é um grande privilégio reproduzir os textos da MARISA MOURA, amiga que muito antes do nascimento da EDITORA BARAUNA, já dizia que acabaríamos montando uma editora. Na época, ninguém deu crédito as previsões. Mas, como sempre, ela estava certa…  Não é por outra razão que quando ela tem algo a dizer, o mercado pára para ouvir.

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AGENTE LITERÁRIO: LUXO OU NECESSIDADE

por MARISA MOURAwww.paginadacultura.com.br
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Há sempre um momento, na carreira do escritor, em que ele se pergunta sobre a necessidade de recorrer aos serviços de um agente literário. As razões desse questionamento, as possíveis respostas e o amplo leque de serviços que uma agência literária oferece compõem as bases deste artigo.

Autores inéditos costumam procurar agentes literários movidos pela certeza de que esses profissionais conseguirão vender suas obras a grandes editoras ou, ao menos, para uma casa editorial que tenha seus títulos expostos em um grande número de livrarias.

Contudo, enquanto o autor alimenta tantas expectativas, o agente literário, agindo de maneira profissional, procura sanar suas próprias dúvidas, que se resumem, num primeiro momento, em saber em qual gênero o autor escreve e quais os assuntos de sua preferência, pois, apesar de existirem poucas agências no Brasil, cada agente – inclusive no exterior – se especializa em algumas áreas do conhecimento. Muitas vezes, portanto, após algum tempo de conversa, o agente percebe que aquele autor seria mais bem atendido por outro profissional.

Uma etapa pode, no entanto, anteceder esse primeiro encontro e facilitar a vida dos dois: o agente literário pode ter procurado esse cliente; ou, o que também é comum, o escritor sentado à sua frente, enchendo-o de perguntas, passou pelo filtro de uma leitura crítica selecionadora; ou, ainda uma terceira possibilidade, o autor foi indicado por amigos e até mesmo por editores.

Mas, de qualquer forma, um primeiro contato sempre será recheado de perguntas que refletem dúvidas simples – por exemplo, sobre observações relacionadas à leitura de um texto recém-terminado – ou até complexas questões contratuais.

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A POESIA TEM LINGUAGEM PRÓPRIA?

Como para ser poeta não precisa ter cursado uma faculdade, muito menos uma língua padrão, visto que a linguagem para a poesia, não tem padrão específico, pois ela está contida na alma de cada ser.

Sendo assim, é de suma importância todo aquele que ama a poesia, e faz dela um motivo para viver, seja o escritor com seus inúmeros livros publicados, a dona de casa, aluno, professor, pedreiro, carpinteiro ou qualquer outro profissional. Unam-se para desmistificar esse conceito estabelecido, de que os dialetos mais prestigiados ainda são os das classes mais abastadas, seja financeira ou intelectual; tomando-o não mais como dialeto e sim como a própria “língua”, onde afirmam que os dialetos das classes populares corrompem a língua com seus erros.

Porém, notamos que há certa discrepância, pois muitos dialetos e jargões que são usados pelas classes populares, são hoje, usados por todas as classes sociais, como o termo “legal”, “asneira”, “arco da velha”, “baboseira”, entre outros. Devido a esta inverdade, muitos poetas estão com seus escritos no fundo das gavetas ou trancafiados em baús, pois temem falar em público, ou apresentar seus escritos a sociedade e serem envergonhados por não usarem a tal linguagem “culta”. Não ouso dizer que ela não seja de interesse as classes menos prestigiadas pela sociedade, pelo contrário. O ser humano é dotado de faculdades intelectuais hábeis, capaz de aprender diferentes dialetos regionais e saber o momento oportuno no qual se deve usar uma linguagem coloquial ou uma linguagem, digo “específica”. Para outros, “culta”. Como estamos falando de poesia; segundo alguns estudiosos, a poesia é o caráter que emociona que toca a sensibilidade, e sugere emoções por meio de uma linguagem.

Sendo assim, cabe ao poeta a linguagem que deve usar, seja ela falada ou escrita.

Agora eu pergunto: quais são os erros que cometemos ao escrever uma poesia? Erramos por querer preservar a língua materna? Erramos ao usar nosso dialeto regional? Porque o preconceito da  linguagem urbana?

Quero deixar aqui, alguns nomes de poetas consagrados que abriram o caminho para que novos escritores pudessem criar em liberdade, livres das algemas formais do academicismo, e que por ironia da linguagem, hoje, suas poesias são recitadas por poetas de diferentes classes sociais: Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado, Murilo Mendes entre outros, preocupados com a realidade brasileira, não se limitando apenas atender uma classe social de leitores, nem a uma norma estabelecida de “linguagem”.

Elen Viana é poetisa de grande talento. Membro destacado do projeto “CAFÉ, POESIA & CIA”.

JAMES MC SILL EM ABRIL, EM SÃO PAULO

Recebemos hoje por email a notícia de JAMES MC SILL apresentará um novo seminário em São Paulo, no mês de abril, sobre produção de texto, abordando técnicas usadas por autores internacionais para obter sucesso e chamar atenção de agentes e editoras americanas.

O evento também é uma boa oportunidade para ter contato com um profissional reconhecido pelo mercado americano e inglês, com grande experiência na atuação como consultor literário e  ”coach” de muitos autores bem sucedidos.

Alguns autores da Barauna, bem como nosso editora ALINE BENITEZ e eu mesmo já participamos de outros encontros com JAMES MC SILL e podemos afirmar que ele sabe sobre o que fala.

É uma boa oportunidade!

Maiores informações: http://writeinsaopaulo.yolasite.com/


DICAS PARA ESCREVER: SER CONCISO COMO GRACILIANO RAMOS

Na fala e na escrita, GRACILIANO RAMOS foi um homem de poucas palavras. Literalmente. Sua contribuição à escrita brasileira vai muito além de romances como CAETÉSMEMÓRIAS DO CÁRCEREVIDAS SECASSÃO BERNARDO, sua maior marca está na concisão de seus textos, onde ele conseguiu como ninguém ligar a força bruta do enredo a uma forma rara de economia expressiva: a concisão lírica.

GRACILIANO RAMOS, costumava dizer que “a palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer” e por essa razão revia e revia seus escritos até que não fosse possível apontar qualquer palavra em excesso.

Esse esforço resultou na produção de narrativas limpas e sóbrias, mas nem por isso entediantes. Mesmo destituídos de adereços e descarnados ao osso, seus textos sempre sensibilizaram os leitores porque o autor soube encontrar o ponto em que a concisão e a emoção convivem.

Fácil na teoria, muito difícil na prática, a lição do escritor alagoano pode ser resumida na conhecida comparação que ele fazia entre o ofício de escrever e lavar roupas:

“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.

Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota.

Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”