PREMIAÇÃO DO 53º JABUTI ACONTECERÁ NO DIA 30.11.2011


A cerimônia de premiação do Jabuti será na quarta – feira, 30 de novembro, na Sala São Paulo. Cada ganhador receberá R$3 mil por categoria e o quelônio metálico. Os melhores Livros do Ano – de Ficção e Não-Ficção – ganham a quantia de 30 mil reais. Foram analisadas 2.619 obras pelo júri para chegar a essa listagem final. A escolha do Livro do Ano de Ficção e de Não Ficção, por sua vez, seguirá as mesmas regras das edições anteriores. Os finalistas do Livro do Ano Ficção serão os vencedores do Jabuti nas categorias: “Romance” (Ribamar); “Contos e Crônicas” (Desgracida); “Poesia” (Em alguma parte alguma); “Infantil” (Obax) e “Juvenil” (Antes de virar gigante e outras histórias). Para o Livro do Ano Não Ficção, participam os vencedores nas categorias: “Teoria/Crítica Literária” (Câmara Cascudo e Mário de Andrade – Cartas, 1924-1944); “Reportagem” (1822); “Ciências Exatas” (Teoria Quântica: estudos históricos e implicações culturais); “Tecnologia e Informática” (Aprendizagem à distância); “Economia, Administração e Negócios” (Multinacionais brasileiras: internacionalização, inovação e estratégia global); “Direito” (Fundamentos constitucionais do direito ambiental brasileiro); “Biografia” (O Teatro & Eu – Memórias); “Ciências Naturais” (Bioetanol de cana-de-açucar – P&D para produtividade e sustentabilidade); “Ciências da Saúde” (Atlas de endoscopia digestiva da SOBED); “Ciências Humanas” (Manejo do Mundo: conhecimentos e práticas dos povos indígenas do Rio Negro); “Didático e Paradidático” (Coleção Pessoinhas); “Educação” (Impactos da violência na escola: um diálogo com professores); “Psicologia e Psicanálise” (Coração… É emoção: a influência das emoções sobre o coração); “Arquitetura e Urbanismo” (Dois séculos de projetos no Estado de São Paulo – Grandes obras e urbanização); “Fotografia” (Fotografia de Natureza); “Comunicação” (Impresso no Brasil); “Artes” (Os Satyros); “Turismo e Hotelaria” (Hospitalidade – A inovação na gestão das organizações prestadoras de serviços) e “Gastronomia” (Machado de Assis: Relíquias Culinárias).

EDITORA BARAÚNA PARTICIPA DE CLUBE DO LIVRO EM CAJUEIRO SECO/PE

Este mês a EDITORA BARAÚNA participou do CLUBE DO LIVRO da Escola Estadual Alzira da Fonseca Bruel, em Cajueiro Seco/PE. Este CLUBE DO LIVRO tem a iniciativa das organizadoras do blog parcerio PALAVRAS PROLÍFERAS e faz parte do projeto ESCOLA ABERTA.

A iniciativa das blogueiras de incentivar o hábito de leitura, principalmente junto a comunidades que tem pouco acesso à cultura, é fantástica e merece todo o apoio.

Parabéns, meninas, ficamos muito contentes de participar. Contem sempre conosco neste projeto.

 

 

Clube do Livro 11 – Chick-lit

Este é um projeto social que realizo uma vez por mês na Escola aberta do meu bairro, como sempre escolho um tema desta vez foi o Chick-lit, que é um gênero que tem conquistado meninas e mulheres de todas as idéias, por ser uma cmédia romântica, e ter geralmente um personagem feminino como protagonista da trama. Eu comecei explicando do que se trata geralmente os enredos do chick-lit, depois distribuí livretos e marcadores doados pela Editora Intrinseca, fiz uma pequena dinâmica enviando mensagens engraçadas ou romântica num cartãozinho, que eu mesma confeccionei, e terminei sorteando um livro: Perdida, Carina Rissi doado pela Editora Baraúna que agora é parceira oficial do Clube do Livro!!\0/ Sem mais blá,blá,blá vamos as fotos!!

A sortuda!!!\0/

Comentem o que acharam, deste incentivo a leitura, eu sempre me divirto muito com essas garotas, falando do que a gente mais gosta: Livros!!! Obrigada a nossa parceira Editora Baraúna e a todos que participaram, també a Intrinseca por ter colaborado com seus livretos e marcadores.

4 comentários:

Monique Melo disse…
Já disse mil vezes e não me cansarei nunca de repetir: acho linda a sua força de vontade e sua iniciativa ao forma este clube. =)
1 de novembro de 2011 15:10
Marcos Tavares disse…
Dany, que trabalho lindo!!!É sempre muito importante divulgar a literatura sobretudo para os jovens! Muito bacana mesmo, tá de parabéns! =)
1 de novembro de 2011 16:09
Aym disse…
é muito bom fazer clube do livro. lindo de sua parte semear essas leitorinhas *_*
beijos
boa semana
bom feriado *_*
2 de novembro de 2011 13:47
Érika Peixoto disse…
Adorei, um belissimo trabalho esse que você faz.Bjs,
2 de novembro de 2011 17:32

CONTOS DE FADAS MODERNOS: INGLESES SE REÚNEM PARA CONTAR E OUVIR HISTÓRIAS

por Mônica Vasconcelos – da BBC Brasil em Londres

Sacha Hall Foto Divulgação

Sacha Hall contou saga comovente vivida em noite de Ano Novo há 20 nos com irmão cadeirante em Paris

 

 

Inspirados em uma ideia que surgiu em Nova York, londrinos vêm organizando eventos onde pessoas sobem ao palco para compartilhar histórias reais com uma plateia ávida.

Há quem tente explicar a nova moda como uma reação à presença excessiva das tecnologias que mediam as interações humanas hoje em dia.

Para os organizadores do evento, no entanto, seu sucesso tem uma explicação simples: ninguém resiste ao poder de uma história bem contada.

O ritual, batizado de True Stories Told Live (em tradução livre, Histórias Verdadeiras Contadas ao Vivo), obedece a um conjunto de regras.

As histórias devem ser contadas sem o uso de anotações, ou seja, de cabeça. Não podem ser mais longas do que dez minutos. Têm de ser baseadas em fatos reais. Qualquer um pode contar sua história, basta se inscrever antes.

Cinco histórias são contadas em cada evento, que acontece, geralmente, em um pub (o equivalente britânico ao boteco brasileiro).

A terceira história em cada noite geralmente contém música – o que abre espaço para a participação de músicos, cantores ou compositores.

Outra característica marcante dessas noites regadas a histórias é o fato de que a plateia não paga um centavo para ouvi-las. Quem quiser ser admitido precisa colocar seu nome em uma lista. Como há mais inscritos do que o espaço é capaz de acomodar, os organizadores fazem uma triagem dos nomes.

A prioridade é dada aos novatos – a ideia é permitir que um número cada vez maior de pessoas conheça o evento.

Desafio e Diversão

Por trás da iniciativa estão algumas figuras conhecidas da mídia e das artes na Grã-Bretanha. Entre elas, o jornalista e apresentador de TV David Hepworth, ex-editor da influente revista de musica Mojo, hoje responsável pela revista The Word.

Hepworth ouviu falar sobre um evento que acontece em Nova York, batizado de The Moth, onde pessoas se reúnem para contar e ouvir histórias.

Em entrevista à BBC Brasil, ele falou de suas motivações em trazer o formato para a Inglaterra: curiosidade, o desejo de vencer um desafio. E a fé no poder eterno de uma boa história.

“Fiquei curioso, queria saber se conseguiríamos fazer algo parecido”.

Como a entrada é franca, os organizadores não estão ganhando dinheiro. Hepworth explicou que não existe essa intenção.

“Mas também tivemos histórias horrendas, que funcionam como uma espécie de terapia”

David Hepworth

“Nós não pagamos pelo espaço. Se cobrássemos ingresso, o pub ia querer uma porcentagem, o contador ia querer uma porcentagem. Então não cobrar torna as coisas mais simples”, explicou. “Fazemos porque podemos e porque é divertido.”

Ritual Ancestral

O primeiro evento inglês aconteceu há dois anos. Hoje, a lista de contatos do True Stories Told Live já conta com cerca de dois mil nomes. E além de Londres, cidades britânicas como Brighton, Cambridge, Hebden Bridge e Cardiff também aderiram à novidade.

Hepworth acha que a atração da noite reside em um princípio muito simples. “Histórias são a forma mais poderosa de entretenimento que existe”.

“Filmes são histórias, jornais são histórias. E isso não tem nada a ver com seu gosto. Quando você sai para ouvir música, tem de decidir que tipo de música você gosta. Histórias, você pode contar para qualquer pessoa”.

“A metáfora que eu uso é a do conto de fadas. Chapeuzinho Vermelho, os Três Ursos – todos seguem a mesma fórmula. Você apresenta um cenário, surge um problema, o problema é resolvido. Geralmente, isso funciona muito bem em dez minutos”.

“É algo muito satisfatório para seres humanos. As pessoas gostam desse sentido ordeiro que existe em uma história, no meio do caos em que vivemos”.

Resta entender o que o contador da história ganha com a experiência.

“O típico contador faz isso como um teste: ‘Será que consigo?’”, disse Hepworth. “No final, fica eufórico por ter vencido o desafio”.

“Mas também tivemos histórias horrendas, que funcionam como uma espécie de terapia. Algo do tipo: ‘Vou dizer isso na frente de um monte de gente’. É um frio na barriga, é como atuar (num palco)”.

Uma Noite em Outubro

Em Londres, os eventos são mensais. O mais recente, há duas semanas, aconteceu no pub The Compass, no bairro de Islington.

Philip Jeays (Divulgação)

A sala não era muito grande e estava lotada, com cerca de 80 pessoas. No canto, um bar. O clima era de expectativa e bastante adrenalina. Assim que o primeiro contador subiu ao palco, todos se calaram, hipnotizados.

Entre os contadores da noite estavam o engenheiro Paul Currie, de Christchurch, na Nova Zelândia.

Currie falou de sua experiência durante os terremotos que abalaram sua cidade natal no ano passado.

O cantor e compositor Philip Jeays descreveu uma temporada passada na França durante sua juventude e encerrou seu depoimento com uma canção comovente, inspirada no compositor belga Jacques Brel.

O arquiteto John Knepler subiu ao palco iluminado para falar de sua luta para descobrir o que aconteceu com o tio judeu preso na Áustria durante a Segunda Guerra.

O cantor Richard Jobson, da banda punk The Skids, contou como conseguiu persuadir o roqueiro americano Lou Reed a ceder os direitos autorais da canção Pale Blue Eyes, por uma quantia modesta, para que a música fosse incluída na trilha de um filme autobiográfico dirigido por Jobson.

Bondade Anônima

A roteirista e atriz inglesa Sacha Hall, segunda a contar sua história, fez o que talvez tenha sido o depoimento mais comovente da noite.

Ela falou de um evento ocorrido em um gelado dia de Ano Novo, em Paris, há vinte anos, quando ela ainda era adolescente.

Tendo chegado à cidade acompanhada pelo irmão de 14 anos, paralisado, em uma cadeira de rodas, Hall foi obrigada a procurar assistência de um profissional de saúde pela lista telefônica.

Depois de horas e inúmeros telefonemas, a adolescente finalmente obteve uma resposta afirmativa.

Uma hora mais tarde, uma senhora de cabelos completamente brancos, usando uma bengala, bateu na porta do apartamento.

A mulher prestou o auxílio desejado – fazer a higiene íntima do irmão de Sacha – e saiu sem aceitar pagamento, levando apenas um pote de mel que Sacha trouxera do sul da França.

Hepworth disse que Hall foi sua contadora favorita da noite.

Segundo ele, a história da atriz abordou um tema comum aos eventos: a necessidade de dizer obrigado a um estranho. No caso de Hall, uma mulher cujo nome ela jamais saberá e que hoje, duas décadas mais tarde, provavelmente é morta.

Outros temas comuns às histórias são a morte e experiências que tiram o contador do seu conforto cotidiano, como, por exemplo, crimes. Histórias militares ou histórias vividas por judeus – em geral, os pais dos contadores – também marcam presença. Ou experiências de pessoas que têm profissões extraordinárias.

“Uma das minhas favoritas foi a história de um cirurgião que descreveu como foi operar o cérebro do boxeador britânico Michael Watson”.

“Watson tinha sofrido um acidente seríssimo no ringue e o médico descreveu a operação, o barulho das serras, tudo em dez minutos. Achei empolgante.”

O próximo evento True Stories Told Live acontece no dia 16 de novembro e será transmitido pelas ondas de rádio do Serviço Mundial da BBC.

OS TESOUROS EDITORIAIS DE FRANKFURT

 

PublishNews – 21/10/2011 – Roberta Campassi

A feira de livros reserva um espaço pouco conhecido para antiquários que vendem raridades


Fotógrafo: Ricardo Costa/Publishnews

 

Ano após ano, uma multidão de editores do mundo todo visita a Feira do Livro de Frankfurt à procura dos lançamentos mais quentes do mercado editorial. Mas há outro público, restrito e endinheirado, que vai à feira justamente em busca do oposto: livros antigos e raros, que sobreviveram ao tempo e hoje valem pequenas fortunas.
Desde 2005, a maior feira de livros do mundo reserva um espaço exclusivo para a realização da Feira de Antiquário de Frankfurt, que reúne antiquários especializados em livros, originais, ilustrações e documentos e que atrai colecionadores principalmente da Europa, Estados Unidos, China e Rússia.
Com uma área de 500 m2, essa feira de raridades editoriais passa muitas vezes despercebida dentro do enorme complexo de mais de 600 mil m2 que abriga a Feira de Frankfurt. Mas é seguramente um dos espaços mais curiosos de todo o evento e um prato cheio para quem, em meio a tantas discussões sobre livros digitais, quer apreciar bons e velhos livros de papel.
Vasculhar os antiquários na feira é o tipo de passeio que poderia levar horas, tamanha a diversidade de itens expostos e os detalhes de cada um. Já levar as peças para casa é o tipo de investimento que exige bastante dinheiro no bolso.
Andando pelos estandes dos antiquários você pode encontrar, por exemplo, um gracioso almanaque em miniatura de astrologia e astronomia publicado na Europa em 1810. Menor que a palma da mão, o livrinho tem uma capa enfeitada por miçangas, um mini-espelho na contracapa e 12 ilustrações feitas à mão. Sai por 2,2 mil euros. “Essa peça era feita para mulheres e publicada em miniatura para ser levada nas bolsas”, afirma Jean-François Letenneur, dono do antiquário Les Trois Islets, que fica na cidade francesa Saint-Briac-sur-Mer e todos os anos expõe em Frankfurt.
Você também pode se deparar com o catálogo de um leilão de livros raros realizado em 1938 para ajudar refugiados de guerra judeus. Mas não é um catálogo qualquer, e sim um que leva a assinatura de Albert Einstein numa página, abaixo da introdução escrita por ele, e a assinatura de Thomas Mann na página seguinte, junto com o prefácio. O pequeno tesouro de papel estava à venda por 8,5 mil euros, no estande do 19th Century, antiquário da cidade de Stevenson, nos Estados Unidos.
Este ano, 53 expositores participaram da Feira de Antiquário de Frankfurt entre os dias 12 e 16 de outubro. A grande dúvida antes de o evento começar era quanto os colecionadores estariam dispostos a gastar em meio à atual turbulência econômica. Mas na sexta-feira, dia 14, os expositores já respiravam aliviados. “Os clientes apareceram e compraram”, afirmou Christian Schoppe, sócio da Abooks, empresa que organiza a Feira de Antiquário em Frankfurt e em outras cidades alemãs. “Embora não tenha ocorrido nenhuma venda de valor altíssimo, houve vários negócios de valores médios.”
Dirk Krah, do antiquário alemão Reiss & Sohn, havia vendido doze itens de seu catálogo em dois dias de feira, e esperava vender mais até o fim do evento. Mas não estava muito otimista com a possibilidade de arrebatar um comprador para a estrela do seu estande, um enorme livro manuscrito de cantos litúrgicos, datado de 1524 e ofertado por 60 mil euros.
Os preços das peças nos antiquários começam em150 euros, mas a média fica entre 5 mil e 10 mil euros, chegando com alguma frequência a 70 mil euros, conta Schoppe. O item mais caro já negociado na feira foi – surpresa – obra de um autor latino-americano. Há alguns anos, o antiquário americano Lame Duck emplacou o manuscrito de um conto de Jorge Luis Borges por nada menos do que 500 mil euros.
Para quem trabalha no mercado editorial, cifras tão altas como essa são alcançadas apenas em leilões de direitos autorais muito concorridos, quase sempre nos mercados americano e europeu. Mas a Feira de Antiquário nunca faz leilões e, curiosamente, só realiza sorteios. Todo ano, quando o evento abre suas portas, os clientes registram interesse nas peças e, depois, aquelas que têm mais de um potencial comprador são sorteadas.

Este ano, os antiquários foram instalados no Open Space, o pavilhão mais futurista do complexo instalado na Ágora, uma área central. “Aqui, no coração da feira, o velho encontra o novo e o passado encontra o futuro”, disse Juergen Boos, diretor da Feira de Frankfurt, em comunicado. É uma prova de que o maior evento do mundo editorial tem atrativos para todos os gostos.

 

PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NA FEIRA DE FRANKFURT

 

PublishNews – 17/10/2011 – Maria Fernanda Rodrigues

Entre os dias 12 e 16 de outubro, editores brasileiros compraram e venderam, em Frankfurt, direitos de livros que devem chegar ao mercado em 2012, 2013, 2014…


Fotógrafo: PublishNews

 

No dia 7 de outubro, Dolores Manzano, a Dosh, saiu atrasada da Câmara Brasileira do Livro, pegou aquele tradicional congestionamento de sexta-feira, atravessou São Paulo, chegou ao Aeroporto de Cumbica, entrou na fila do check-in para descobrir, depois de muita conversa com a funcionária da empresa aérea, que seu voo para Frankfurt estava marcado para o dia seguinte. Dosh é a gerente executiva do Projeto Brazilian Publishers, criado pela Câmara Brasileira do Livro e Apex para divulgar a produção editorial brasileira no exterior, e responsável pelo estande do Brasil na Feira de Frankfurt. O episódio do aeroporto dá apenas uma pequena amostra de que organizar a participação de mais de 50 editoras na maior feira de livros do mundo faz qualquer um perder o prumo.
Mas tanto trabalho valeu a pena. “Olha só o estande do Brasil! Todos os anos tenho que perguntar onde é que ele está e hoje foi só pensar e já vi porque ele está muito maior, visível e bonito”, comentou a brasileira Ludmila Szewciw, que mora há 36 anos na Alemanha e frequenta a feira há 35.
Grande, aberto e claro, o estande do Brasil trocou o verde e amarelo clichê da bandeira por um azul mais discreto e móveis em madeira clara. Ele ficava entre o do México e o da Argentina e era um dos mais movimentados do Pavilhão 5, onde se concentravam, no andar do Brasil, editoras vindas também da Espanha, Portugal, Cuba, Turquia, República da Macedônia e de tantos outros países. No estande havia mesas para reuniões, estantes para exibição dos livros, café, frutas, suco, caipirinha e uma dezena de jovens alemães e brasileiros recebendo os visitantes e facilitando a vida dos editores brasileiros. Para completar o espaço, a Fundação Biblioteca Nacional alugou a área ao lado e criou ali um lounge, que acabou se tornando um ponto de encontro.
“O estande está fantástico, funcional e com a cara desse Brasil grande”, comentou Breno Lerner, superintendente da Melhoramentos, que fez bons negócios na Feira de Frankfurt. Depois de anos de tentativas, a editora finalmente conseguiu vender seu banco de dados Michaelis para a Rússia. Cinema vai à mesa foi comprado pela Bélgica. Ziraldo vai chegar à Noruega comFlicts e em Israel com Vito Grandam – Uma história de voos. Entre os títulos que a editora comprou estão o juvenil História de St. Louis, sobre o navio com sobreviventes da Segunda Guerra Mundial que não conseguia atracar em país nenhum. O episódio, real, é narrado por dois sobreviventes e o livro, na opinião de Breno, é um dos mais bonitos da feira. Os outros dois títulos que Breno destaca são os infantis O dia da eleição, que é a história de um burro e de um elefante que estão concorrendo com muita baixaria em uma eleição mas que depois decidem jogar limpo, e mesmo assim, ou por isso mesmo, perdem; e o canadense Como construir o seu país.
José Castilho Marques Neto participa da Feira de Frankfurt há 21 anos ininterruptos e disse que muita coisa mudou nos últimos tempos e a principal delas foi a concentração das editoras. Castilho comentou também que hoje é muito difícil encontrar um agente que saiba o que está dizendo e que essas duas coisas estão relacionadas. Relações construídas ao longo dos anos, que se refletiam num catálogo coerente, também estão se perdendo com a alta rotatividade nessa área, comentou o presidente da Editora Unesp, que está levando para o Brasil, entre outros títulos, as obras completas de Jürgen Habermas. Quando à participação do Brasil na feira este ano, disse: “O estande está começando a tomar o tamanho da importância do mercado brasileiro.”
“Todos os outros estandes que o Brasil já teve tinham um tablado e era preciso subir. Agora, é aberto e o espaço do lado foi ótimo. Se mexer estraga”, comentou Eduardo Blucher, que garantiu para a Blucher os direitos de publicar no Brasil, entre outros, o livro Como aplicar o design tipográfico para o tablet. Na opinião do editor, existe uma expectativa muito grande quanto à participação do Brasil na feira e o país correspondeu. “A situação atual do Brasil e a crise no resto do mundo nos colocam num outro patamar para fazer negócios.”
“Se a editora não vem para a feira para vender, não faz sentido ter estande próprio. É mais prático participar do estande coletivo, não precisa ficar na feira o tempo todo, faz mais contatos e tem a companhia de outros editores brasileiros. Esse ano o estande está muito bonito, mais claro e mais amplo. Mudamos de patamar”, disse Miriam Gabbai, da Callis. Mas Miriam queria vender. E foi por isso que decidiu, além de participar do estando do Brasil, já que é associada ao projeto Brazilian Publishers, ter seu próprio estande. Pelos critérios da feira, a Callis poderia ter escolhido o andar dedicado a livros infantis ou poderia ter ficado perto do Brasil no pavilhão das editoras internacionais. Mas foi logo para o Pavilhão 8, onde ficam as editoras de língua inglesa, e para onde todos os editores e agentes vão. Como conseguiu? A Callis também opera nos Estados Unidos, com empresa aberta lá. O maior sucesso da editora na feira foi A felicidade é uma melancia na cabeça, que deve ser vendido para quatro países. Um fato curioso: Mirim tinha muitas reuniões agendadas com japoneses, mas muitos chineses apareceram interessados em seus livros. Isso tudo porque a Callis costuma participar da Feira do Livro de Tóquio e tem agente divulgando a editora entre os orientais.
“O efeito ‘país homenageado’ é enorme. Achei que eu teria uma agenda minguada, mas não parei um minuto”, comentou Mariana Warth, da Pallas. “O estande está lindo e acolhedor, e as pessoas têm vontade de entrar para conhecer os livros. São várias mesas para reunião e as pessoas podem usar o lounge para folhear os livros. Sem dúvidas, ele oferece uma boa estrutura para o editor.”
“Muitas editoras tiveram interesse em comprar os direitos dos nossos livros e teve até uma editora indiana que pediu para comprar todo o catálogo de uma vez”, comentou Guilherme Napoleão, proprietário da Editora Napoleão, especializada em obras na área de Odontologia. “Mas o grande entrave é a tradução de uma obra técnica, que requer tradutores especialistas. Se ao menos o programa de apoio à tradução da Biblioteca Nacional fosse aplicado a autores técnicos…”, lamentou o editor em sua terceira visita à Feira de Frankfurt. A Napoleão fica em Nova Odessa, interior de São Paulo, tem quatro anos e 30 livros em catálogo.
Comprar ou vender? Aprender
Pedro Galé, editor da Barcarolla, foi à Feira de Frankfurt pela primeira vez este ano. “A feira é assustadora no começo, mas depois melhora porque você começa a ver gente que tem o mesmo problema que você e gente que tem mais problema do que você. E muitas pessoas que eram só uma assinatura de e-mail ganham um rosto”, comentou. Pedro não queria comprar e nem de vender nada. “Minha ideia era conhecer a feira e me preparar para a próxima. Sem vir não dá para dimensionar o que é isso tudo o que está acontecendo no mercado editorial que acompanhamos pela imprensa.”
“Não se faz um trabalho no exterior em um ano, mas foi muito bom ter participado porque aprendi muito”, comentou Roger Faria, um dos sócios da Toriba. Sua vida nesses dias de feira não foi nada fácil. Enquanto os outros editores abriam uma pastinha para retirar o catálogo, mostravam algum arquivo no iPad ou alcançavam algum livro na prateleira ao lado, Roger tinha que tirar seu único livro já lançado, Nação Corinthians, de 30 kg e 624 páginas, da estante para mostrar aos curiosos. E calcula que tenha feito isso 40 vezes. “Meu objetivo não era vender o livro e acabei fazendo muitos contatos com prestadores de serviço, distribuidores e editores com os quais podemos fazer parcerias e levar seus livros ao Brasil”, comentou. A Toriba participou da feira no estande do Brasil. “É muito melhor estar inserido neste contexto do que vir à feira de forma independente, e não digo isso apenas pela economia. Temos muito mais chance se aparecer.” Os editores brasileiros que tentavam um leilão informal do livro em exposição se frustraram. No sábado à noite a obra voltou para a caixa protegida por muito isopor e continuará sendo usada para divulgação. Pudera, o livro custa R$ 15 mil.

A Cortez participou da feira em 94, 97 e 2010 e voltou este ano para se atualizar, ver o que as outras editoras andam fazendo e as novidades do livro digital, e para fazer contatos. Também não queria comprar e nem vender, como explicou o diretor comercial Antonio Erivan Gomes. Mas ele foi o último a se levantar da mesa de negociações no estande do Brasil neste sábado, às 18h, quando todos os estandes vizinhos já estavam apagando as luzes. “Vi coisas muito interessantes, mas não viemos para comprar. Vim para fazer contatos e para viabilizar outros projetos da editora”. Erivan disse que a Cortez pretende continuar participando, elogiou a estrutura do estande “que dá um respaldo muito bom às editoras” e se mostrou animado com as possibilidades que se abrem com o novo programa de apoio à tradução de autores brasileiros.

 

FEIRA DE FRANKFURT: COMO SE DESTACAR ENTRE 7.300 EXPOSITORES?

 

PublishNews - 10/10/2011 – Maria Fernanda Rodrigues

Confira o que o Brasil está preparando para a Feira de Frankfurt, que começa oficialmente na noite de terça, mas que já agita a cidade alemã


Fotógrafo: DivulgaçãoEntrada para o Pavilhão 5, onde ficará a maioria das editoras brasileiras

 

A maior feira de livros do mundo abre suas portas na próxima quarta-feira em Frankfurt (a cerimônia de abertura será na terça à noite) e o Brasil se esforça para se destacar no meio de tanta gente. Serão 7.300 expositores e 290 mil profissionais do mercado editorial vindos de 100 países, que andarão para cima e para baixo numa área equivalente a 14 campos de futebol.
O estande do Brasil, organizado pelo projeto Brazilian Publishers, terá 180 m2 divididos em duas áreas e será um pouco maior do que o do ano passado (120 m2). Livros de 50 editoras brasileiras estarão expostos lá. No total, elas mandaram para a feira 1.782 títulos (2.501 exemplares). O número de livros enviados caiu ligeiramente em relação à edição passada. Em 2010, foram 2.870 exemplares. “Acredito que esse decréscimo na quantidade de livros enviados tenha ocorrido porque o editor está mais criterioso e mandando apenas aqueles com mais potencial de venda”, avaliou Dolores Manzano (Dosh), responsável pelo projeto.
Nesta área, chamada de “Business”, haverá, além das estantes com os livros, mesas para reuniões. Aos editores brasileiros que quiserem descansar um pouco será oferecido ali, no final do dia, pinga e caipirinha.
Já o “Lounge” terá de 66m2 e funcionará como um espaço mais reservado para reuniões dos presidentes das entidades de livro. Lá também será realizado o encontro Have a look at Brazil no dia 13, às 11h. Nova Zelândia e Georgia também terão os seus “Look At”, mas Dosh contou que a edição brasileira foi a mais procurada, com 87 inscritos. As pessoas inscritas e quem mais estiver passando pelo local na hora da apresentação poderão ouvir Karine Pansa, presidente da CBL, e Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, falando sobre o mercado brasileiro e sobre o recém-lançado projeto que prevê uma maior presença da literatura brasileira em outros países a partir do apoio à tradução. Também será exibido um filme sobre o Brasil. Vinhos e frutas do Brasil, fornecidos pelos parceiros da Apex, serão servidos aos convidados depois das apresentações. Frutas brasileiras também estarão à disposição dos visitantes.
A mudança no tamanho do estande, a movimentação do MinC e de outros parceiros do livro mostram, para Dosh, que o Brasil está empenhado em fazer bonito em 2013, quando será o país homenageado.
O estande brasileiro está sendo organizado pelo Projeto Brazilian Publishers, da Apex e CBL, e ainda pelo Snel e Fundação Biblioteca Nacional. Da CBL, vão quatro pessoas. O restante da equipe – 11 pessoas – é formada por alemães.
Oportunidade desperdiçada
Cada editor presente à feira através do projeto Brazilian Publishers ou com estande próprio teve a oportunidade de cadastrar, gratuitamente, 10 títulos no site da feira. Até o fim da semana passada, livros de apenas 12 editoras eram encontrados no catálogo oficial virtual.
Este ano o Brasil terá dois catálogos impressos porque não deu tempo de fazer o tradicional unificado, com associados da CBL e do Snel. Algumas editoras também não mandaram suas informações em tempo de entrar no catálogo impresso, mas estarão no catálogo virtual que poderá ser acessado em uma tela no estande.
Além do estande coletivo
O estande coletivo fica no Pavilhão 5.1, E941. Outras editoras brasileiras estarão neste mesmo pavilhão, mas participando da Feira de Frankfurt de forma independente. São elas: Companhia das Letras (E950) e Grupo Record (E954). Editoras brasileiras pertencentes a grupos editoriais internacionais terão seus livros expostos no estande de seus grupos. Entre elas estão a Planeta (C937), Ave-Maria (B948), Paulinas (B939) e Paulus (B951).
No Pavilhão 4.2, dedicado a editoras do segmento educacional, estarão o Grupo GEN (G451), Grupo A (J406) e P3D Educação (D1440).
No Pavilhão 6, estarão as agências literárias Riff e Katia Schumer.
Brasil na programação oficial
Além de ser um dos destaques da série “Have a look at”, o Brasil estará em outros espaços da feira. O principal evento é a 25th Rights Directors Meeting, no dia 11 de outubro, das 14 às 17h, que este ano focará a primeira parte de sua programação no Brasil e a segunda nas possibilidades de parcerias internacionais para o lançamento de aplicativos. Para apresentar o mercado brasileiro foram convidados a agente literária Lucia Riff e os editores Tomas Pereira, da Sextante, e Eduardo Blucher, da Blucher. [Para outras informações sobre este evento, confira a matéria publicada na edição de sexta-feira, dia 7, do PublishNews]
Galeno Amorim, presidente da Biblioteca Nacional, falará sobre o programa de apoio à tradução dentro da programação do Forum Dialogue (Pavilhão 5, A962) no dia 12 de outubro, às 16h15. A organização deste evento é do Consulado Geral do Brasil em Frankfurt.
Os escritores Marcelo Ferroni e Carola Saavedra participam de bate-papo com o tradutor Michael Kegler no sábado, dia 15, das 15h45 às 16h45, no Pavilhão 5.0 (D963). “Who or what tells us of Brazil?” é o nome da atividade organizada pelo Centro Cultural Brasil em Frankfurt que pretende discutir a produção literária contemporânea. [Leia a entrevista feita pelo PublishNews com o alemão, que tem projetos de tradução de autores brasileiros na gaveta e que pretende tirá-los de lá agora que o Brasil lançou o edital de apoio à tradução]

 

O QUE ESPERAR DA PARTICIPAÇÃO DO BRASIL NA FEIRA DE FRANKFURT?

 

PublishNews – 10/10/2011 – Redação

Por Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional:

 

A Feira do Livro de 2011 em Frankfurt é considerada extremamente estratégica para o Brasil criar as condições necessárias para uma participação em grande estilo em 2013, quando o país será homenageado. É o momento de sinalizar para o mercado internacional duas coisas: primeiro, a firme determinação do governo brasileiro de fazer os investimentos necessários para ampliar a presença livro e da literatura do Brasil no cenário mundial; em segundo, que isso passa a ter o caráter de política de estado, e não uma ação deste governo. Para isso, estamos anunciando recursos, metas e ações até 2020, oferecendo segurança e previsibilidade, algo fundamental para construir a credibilidade necessária nesse mercado. Por isso, além dobrar o estande do Brasil em 2011, algo que deve ser crescente nos próximos anos, vamos aproveitar o cenário de Frankfurt para lançar lá fora nossa política de internacionalização para editores e agentes literários. Também aproveitarmos para fazer todos os contatos necessários em Frankfurt e nas principais cidades alemãs para já começar a reservar museus, teatros e outros espaços onde desenvolveremos uma ampla programação durante todo ano de 2013. [Galeno Amorim é presidente da Fundação Biblioteca Nacional]