CONTOS DE FADAS MODERNOS: INGLESES SE REÚNEM PARA CONTAR E OUVIR HISTÓRIAS

por Mônica Vasconcelos – da BBC Brasil em Londres

Sacha Hall Foto Divulgação

Sacha Hall contou saga comovente vivida em noite de Ano Novo há 20 nos com irmão cadeirante em Paris

 

 

Inspirados em uma ideia que surgiu em Nova York, londrinos vêm organizando eventos onde pessoas sobem ao palco para compartilhar histórias reais com uma plateia ávida.

Há quem tente explicar a nova moda como uma reação à presença excessiva das tecnologias que mediam as interações humanas hoje em dia.

Para os organizadores do evento, no entanto, seu sucesso tem uma explicação simples: ninguém resiste ao poder de uma história bem contada.

O ritual, batizado de True Stories Told Live (em tradução livre, Histórias Verdadeiras Contadas ao Vivo), obedece a um conjunto de regras.

As histórias devem ser contadas sem o uso de anotações, ou seja, de cabeça. Não podem ser mais longas do que dez minutos. Têm de ser baseadas em fatos reais. Qualquer um pode contar sua história, basta se inscrever antes.

Cinco histórias são contadas em cada evento, que acontece, geralmente, em um pub (o equivalente britânico ao boteco brasileiro).

A terceira história em cada noite geralmente contém música – o que abre espaço para a participação de músicos, cantores ou compositores.

Outra característica marcante dessas noites regadas a histórias é o fato de que a plateia não paga um centavo para ouvi-las. Quem quiser ser admitido precisa colocar seu nome em uma lista. Como há mais inscritos do que o espaço é capaz de acomodar, os organizadores fazem uma triagem dos nomes.

A prioridade é dada aos novatos – a ideia é permitir que um número cada vez maior de pessoas conheça o evento.

Desafio e Diversão

Por trás da iniciativa estão algumas figuras conhecidas da mídia e das artes na Grã-Bretanha. Entre elas, o jornalista e apresentador de TV David Hepworth, ex-editor da influente revista de musica Mojo, hoje responsável pela revista The Word.

Hepworth ouviu falar sobre um evento que acontece em Nova York, batizado de The Moth, onde pessoas se reúnem para contar e ouvir histórias.

Em entrevista à BBC Brasil, ele falou de suas motivações em trazer o formato para a Inglaterra: curiosidade, o desejo de vencer um desafio. E a fé no poder eterno de uma boa história.

“Fiquei curioso, queria saber se conseguiríamos fazer algo parecido”.

Como a entrada é franca, os organizadores não estão ganhando dinheiro. Hepworth explicou que não existe essa intenção.

“Mas também tivemos histórias horrendas, que funcionam como uma espécie de terapia”

David Hepworth

“Nós não pagamos pelo espaço. Se cobrássemos ingresso, o pub ia querer uma porcentagem, o contador ia querer uma porcentagem. Então não cobrar torna as coisas mais simples”, explicou. “Fazemos porque podemos e porque é divertido.”

Ritual Ancestral

O primeiro evento inglês aconteceu há dois anos. Hoje, a lista de contatos do True Stories Told Live já conta com cerca de dois mil nomes. E além de Londres, cidades britânicas como Brighton, Cambridge, Hebden Bridge e Cardiff também aderiram à novidade.

Hepworth acha que a atração da noite reside em um princípio muito simples. “Histórias são a forma mais poderosa de entretenimento que existe”.

“Filmes são histórias, jornais são histórias. E isso não tem nada a ver com seu gosto. Quando você sai para ouvir música, tem de decidir que tipo de música você gosta. Histórias, você pode contar para qualquer pessoa”.

“A metáfora que eu uso é a do conto de fadas. Chapeuzinho Vermelho, os Três Ursos – todos seguem a mesma fórmula. Você apresenta um cenário, surge um problema, o problema é resolvido. Geralmente, isso funciona muito bem em dez minutos”.

“É algo muito satisfatório para seres humanos. As pessoas gostam desse sentido ordeiro que existe em uma história, no meio do caos em que vivemos”.

Resta entender o que o contador da história ganha com a experiência.

“O típico contador faz isso como um teste: ‘Será que consigo?’”, disse Hepworth. “No final, fica eufórico por ter vencido o desafio”.

“Mas também tivemos histórias horrendas, que funcionam como uma espécie de terapia. Algo do tipo: ‘Vou dizer isso na frente de um monte de gente’. É um frio na barriga, é como atuar (num palco)”.

Uma Noite em Outubro

Em Londres, os eventos são mensais. O mais recente, há duas semanas, aconteceu no pub The Compass, no bairro de Islington.

Philip Jeays (Divulgação)

A sala não era muito grande e estava lotada, com cerca de 80 pessoas. No canto, um bar. O clima era de expectativa e bastante adrenalina. Assim que o primeiro contador subiu ao palco, todos se calaram, hipnotizados.

Entre os contadores da noite estavam o engenheiro Paul Currie, de Christchurch, na Nova Zelândia.

Currie falou de sua experiência durante os terremotos que abalaram sua cidade natal no ano passado.

O cantor e compositor Philip Jeays descreveu uma temporada passada na França durante sua juventude e encerrou seu depoimento com uma canção comovente, inspirada no compositor belga Jacques Brel.

O arquiteto John Knepler subiu ao palco iluminado para falar de sua luta para descobrir o que aconteceu com o tio judeu preso na Áustria durante a Segunda Guerra.

O cantor Richard Jobson, da banda punk The Skids, contou como conseguiu persuadir o roqueiro americano Lou Reed a ceder os direitos autorais da canção Pale Blue Eyes, por uma quantia modesta, para que a música fosse incluída na trilha de um filme autobiográfico dirigido por Jobson.

Bondade Anônima

A roteirista e atriz inglesa Sacha Hall, segunda a contar sua história, fez o que talvez tenha sido o depoimento mais comovente da noite.

Ela falou de um evento ocorrido em um gelado dia de Ano Novo, em Paris, há vinte anos, quando ela ainda era adolescente.

Tendo chegado à cidade acompanhada pelo irmão de 14 anos, paralisado, em uma cadeira de rodas, Hall foi obrigada a procurar assistência de um profissional de saúde pela lista telefônica.

Depois de horas e inúmeros telefonemas, a adolescente finalmente obteve uma resposta afirmativa.

Uma hora mais tarde, uma senhora de cabelos completamente brancos, usando uma bengala, bateu na porta do apartamento.

A mulher prestou o auxílio desejado – fazer a higiene íntima do irmão de Sacha – e saiu sem aceitar pagamento, levando apenas um pote de mel que Sacha trouxera do sul da França.

Hepworth disse que Hall foi sua contadora favorita da noite.

Segundo ele, a história da atriz abordou um tema comum aos eventos: a necessidade de dizer obrigado a um estranho. No caso de Hall, uma mulher cujo nome ela jamais saberá e que hoje, duas décadas mais tarde, provavelmente é morta.

Outros temas comuns às histórias são a morte e experiências que tiram o contador do seu conforto cotidiano, como, por exemplo, crimes. Histórias militares ou histórias vividas por judeus – em geral, os pais dos contadores – também marcam presença. Ou experiências de pessoas que têm profissões extraordinárias.

“Uma das minhas favoritas foi a história de um cirurgião que descreveu como foi operar o cérebro do boxeador britânico Michael Watson”.

“Watson tinha sofrido um acidente seríssimo no ringue e o médico descreveu a operação, o barulho das serras, tudo em dez minutos. Achei empolgante.”

O próximo evento True Stories Told Live acontece no dia 16 de novembro e será transmitido pelas ondas de rádio do Serviço Mundial da BBC.

BLOG DISCOTECA DOS LIVROS

Recentemente, a BARAÚNA começou a fazer parcerias com blogs literários. Hoje já são mais de 120 blogs literários parceiros e esse número cresce continuamente.

A tarefa de divulgar, resenhar, criticar e aconselhar nossos autores e títulos sem a ajuda dos blogs seria muito, muito mais dificil sem a ajuda das parcerias, de que muito nos orgulhamos.

Todos os blogs parceiros são especiais e se destacam de algum modo, mas hoje queremos chamar a atenção para o DISCOTECA DOS LIVROS de autoria da pequena LENA GIULIANO, uma talentosa argentina de 7 anos, que mora em São Paulo com os pais, e faz textos e resenhas com a segurança de um adulto.

Para aumentar a vontade de conhecer as resenhas da LENA, veja a entrevista que ela deu ao blog EU CONTO ASSIM, escrito por uma redatoda do ESTADINHO, que também deve ser visitado:

Lena, que história é essa de blog sobre livros?
Uma vez eu estava vendo Julie&Julia com meus pais e me deu vontade de ter um blog, mas não sabia do que faze-lo. Meses depois, eu decidi fazer um blog sobre livros só para me lembrar algumas histórias que eu li.

Como você escolhe o que vai postar no blog?
Eu pego um livro legal que acho que os leitores vão gostar e faço uma critica muito light.

Você se considera uma leitora voraz?
Sim.

Em que momento do dia você costuma ler?
A noite. Antes de dormir, no meu quarto.

O que você está lendo agora?
Eu estou lendo Diário de um banana. Dias de Cão.

Como você escolhe um livro, o que chama a sua atenção?
Pelo título, ás vezes eu leio um trecho do livro

Qual o foi o livro mais interessante que você já leu? Por quê?
Tenho vários que achei muito interessantes, não sei qual escolher. Mas se eu tivesse que escolher por interessante, bonito e muito bom, eu escolheria ¨Ou isto ou aquilo¨, que é um livro de poesias de Cecília Meireles. Outro livro que eu adorei foi ¨Chat Natacha chat¨, de Luis María Pescetti, um escritor argentino.

E um que você não gostou de jeito nenhum?
Não li livro que eu não gostei de jeito nenhum. Eu tento achar em todo livro alguma coisa legal, desenhos, personagens ou até palavras novas, sei lá.

Que livro você quer muito ler, mas ainda não leu?
¨Como e que chama o nome disso¨, de Arnaldo Antunes.

Quais são os gêneros que você gosta?
Eu gosto muito de romances de detetives para crianças, de aventuras cotidianas, de contos de fadas e de histórias que estejam bem escritas.

O que você sente quando lê um livro?
Eu sinto que estou dentro de cada aventura. Eu gosto muito disso.

O que os livros significam para você?
São como uma espécie de filme que acontece na minha cabeça e que eu ajudo a fazer acontecer, dando as características como rosto dos personagens, cores, paisagens, sons, para acontecer.

Você já pensou em ser escritora?
Sim. Desde os 6 anos. Mas quando eu tinha 4 anos, eu inventava algumas histórias curtas e a minha mãe escrevia num caderno.

 

O VENDEDOR DE PALAVRAS

Por FABIO REYNOL*

Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentandoO Vendedor de Palavras que não se liam livrs nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, “indigência lexical”. Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica. Pegou o dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs.

Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: “Histriônico — apenas R$ 0,50!”.

Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta curiosos parasse e perguntasse.

— O que o senhor está vendendo?

— Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta centavos como diz a placa.

— O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.

— O senhor sabe o significado de histriônico?

— Não.

— Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.

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SE EU PULASSE DA PONTE…

Por ADRIANA VARGAS DE AGUIAR do BLOG PURO SENTIMENTO:

Se eu pulasse da ponte
Não molharia apenas os dedos dos pés
Mergulharia intensamente…
Aprenderia a escrever a palavra – liberdade
Com todo o seu sentido…
Chuparia manga me lambuzando
Comeria chocolate com sonho; tomaria sorvete com quilos a mais…
Se eu fosse corajosa e pulasse da bendita ponte
Não invejaria os ousados
conheceria o que há por trás das cortinas
Não mais imaginaria como seria o se…
Se eu me empurrasse da ponte
molharia os pés da virtude
Andaria descalça sem direção
Perderia horas olhando o céu
Desligava a televisão
Me apaixonaria intensamente todos os dias…
Se eu pulasse de ponta da ponte
Eu teria a oportunidade única
De ser eu mesma…

DÚVIDAS E REFLEXÕES

Por Danilo Adriano Nunes Barbosa – blog LITERATURA DE CABEÇA

Na nossa rotina, aprendemos (ou pelo menos deveríamos) a conviver com as pessoas e suas complexidades. Suas opiniões e comentários nem sempre nos agradam e, na maioria das vezes, damos algum jeito de mostrar isso, nem se for sutilmente. Mas estamos certos em agir dessa forma? Porque insistirmos em colocar as pessoas dentro dos nossos padrões de politicamente correto? Para que criticarmos o outro às vezes por uma atitude mínima? Sabemos sempre que o outro pode ser uma pessoa amarga e mesquinha e tentar te atingir. Mas até que ponto nós podemos deixar nossas vontades e desejos entrarem nesse jogo. Querendo ou não, atacar o outro torna-nos igual a ele. A verdade é que devemos analisar os fatos e pessoas, cada um que se encontra ao nosso redor. Aprendi isso durante o correr da minha vida. Sigamos o nosso coração, sem ter dúvidas. Deixemos a mente aberta para as situações e as pessoas, amando e respeitando cada um dentro do seu espaço e dos seus limites. Não tentemos mudar as pessoas e nem cobrar delas. Apure as verdades e veja se querer esta ou aquela determinada pessoa do seu lado compensa. Isso não acontece sempre. Na verdade, nunca compensa tentar se moldar ao outro, anulando a sua personalidade ou a do outro. Respeite a identidade de quem ama e só busque o que for para o seu próprio crescimento. Há pessoas que você compensa se importar. Outras simplesmente não se importa. Não vai doer nada. Experimente…Na nossa rotina, aprendemos (ou pelo menos deveríamos) a conviver com as pessoas e suas complexidades. Suas opiniões e comentários nem sempre nos agradam e, na maioria das vezes, damos algum jeito de mostrar isso, nem se for sutilmente. Mas estamos certos em agir dessa forma? Porque insistirmos em colocar as pessoas dentro dos nossos padrões de politicamente correto? Para que criticarmos o outro às vezes por uma atitude mínima? Sabemos sempre que o outro pode ser uma pessoa amarga e mesquinha e tentar te atingir. Mas até que ponto nós podemos deixar nossas vontades e desejos entrarem nesse jogo. Querendo ou não, atacar o outro torna-nos igual a ele. A verdade é que devemos analisar os fatos e pessoas, cada um que se encontra ao nosso redor. Aprendi isso durante o correr da minha vida. Sigamos o nosso coração, sem ter dúvidas. Deixemos a mente aberta para as situações e as pessoas, amando e respeitando cada um dentro do seu espaço e dos seus limites. Não tentemos mudar as pessoas e nem cobrar delas. Apure as verdades e veja se querer esta ou aquela determinada pessoa do seu lado compensa. Isso não acontece sempre. Na verdade, nunca compensa tentar se moldar ao outro, anulando a sua personalidade ou a do outro. Respeite a identidade de quem ama e só busque o que for para o seu próprio crescimento. Há pessoas que você compensa se importar. Outras simplesmente não se importa. Não vai doer nada. Experimente…

A REVOLUÇÃO DOS LIVROS

por  Wiliam de Oliveira*

E começou assim, como se não tivesse começado, aos poucos, em um movimento silencioso, eles foram ocupando todos os espaços, todas as mentes, todas as casas.

E foram mudando comportamentos, transformando ideias, seduzindo crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.

Na verdade, embora tivessem sempre algo a dizer, muitas vezes ficaram esquecidos, encostados, sujeitos a erosão do tempo, jogados literalmente às traças, como se costumou falar. Amarelados, enfraquecidos, corroídos, pareciam estar mortos e sujeitos às suas próprias limitações.

Porém, o que ninguém sabia, é que mais do que serem vistos e tocados, eram eles que observavam os gestos, liam a vida, espelhavam os homens. Estiveram sempre ali, à espreita, na espera do momento certo, para, então, ao serem retirados de sua aparente passividade, demonstrarem a sua real força como instrumentos permanentes de transformação.

Muitos sabiam do poder que eles tinham, mas a grande maioria olhava-os de longe, e, por razões que não cabe aqui declinar, pouco se atreviam a um contato mais íntimo. Quando isso acontecia, parecia que um novo mundo seria então descoberto.

No entanto, a porta logo se fechava, o mundo se tornava o mesmo, na mesquinhez das coisas, na impotência do não ter, na indignidade dos atos de outros seres.

Mas voltando a nossa história, eles foram se juntando,dia após dia, foram se somando, se multiplicando, se dividindo.

E como um grande exército mundial, vindos de todos os cantos da Terra, eles pularam das estantes, fugiram das bibliotecas, das cabeceiras e criados-mudos, e invadiram, finalmente, a cabeça e o coração de todos os homens da terra.

O era uma vez se fez de vez em um final feliz na grande e definitiva Revolução dos Livros.

WILIAM DE OLIVEIRA é jornalista e professor universitário. Atualmente é diretor da Rádio Libertas FM, em Poços de Caldas/MG e apresentador do programa Hora da Verdade (TV Poços). É autor do livro EDITORIAIS DO HORA DA VERDADE & OUTROS TEXTOS FORA DE HORA.

Contato: wiliam.oliveira@uol.com.br